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São Jorge e Ogum

SÂO JORGE GUERREIRO

No dia 23 de abril, devotos do mundo inteiro comemoram o dia de São Jorge. Padroeiro de Portugal, da In­glaterra e da Catalunha, São Jorge também é protetor dos soldados, militares, ferramenteiros e ferroviários.
A devoção e o conhecimento a São Jorge cresceram no Brasil pelos escravos, que, proibidos de adorar seus ído­los “pagãos”, passaram então a fazer seus pedidos, cul­tos e rituais fora das igrejas, associando a imagem de São Jorge, trazido pelo Catolicismo português, aos orixás guerreiros do culto-afro. Por esse motivo é que São Jorge guer­reiro possui diversas representações nas religiões afro-brasileiras; na Bahia é associado ao orixá Oxóssi, e no Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados do norte e nordeste ao orixá Ogum.
Filho de pais cristãos, Jorge nasceu na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia. Mudou-se para a Palestina, com sua mãe, logo após a morte de seu pai.
Entrou para o exército romano, se tornando capi­tão, e, por sua dedicação e habilidade, o imperador lhe conferiu o título de conde.
Com 23 anos de idade passou a residir na corte im­perial de Roma, exercendo altas funções.
Recebeu o honroso título de ‘Grande Mártir’, no Ori­ente, onde era venerado des­de o século IV.
O guerreiro, originário da Capadócia, converteu-se ao Cristianismo exercendo a função de capitão do Im­pério Romano, ao tempo em que o imperador Dio­cleciano tinha planos de matar os cristãos.
Fiel a Jesus Cristo, Jorge demonstrou-se espantado com aquela decisão e afir­mou que era servo do reden­tor Jesus Cristo e que nele estava a ‘verdade’.
Mantendo-se fiel a Jesus, o imperador tentou fazê-lo desistir de vários modos, e, não tendo êxito em suas ten­tativas, mandou degolar o jovem cristão no dia 23 de abril de 303.
Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lídia (antiga Despoles), onde foi sepultado e onde o imperador cristão, Constantino, mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis.
Seu culto se espalhou imediatamente por todo o oriente.
Venerado desde o sécu­lo IV, sua popularidade e fi­éis foram crescendo que, chegando no século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla, dedicadas a ele.
No Egito foram mais quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir.
Na Itália era padroeiro da cidade de Gênova, e, no Oci­dente, na idade média, as cru­zadas colocaram São Jorge à frente de suas milícias, como patrono da Cavalaria.
Durante a primeira guer­ra mundial (1914-1918), muitas medalhas de São Jor­ge foram cunhadas e ofere­cidas aos enfermeiros, mili­tares e as irmãs de caridade que se sacrificaram ao tomar conta dos feridos da guerra.
As artes também divulga­ram, amplamente, a imagem do santo. Em Paris, no mu­seu do Louvre, há um qua­dro famoso de Rafael (1483-1520), intitulado “São Jorge vencedor do Dragão”.
Na Itália existem diversos quadros célebres como o de autoria de Donatello (1386-1466).
“A imagem atual é fruto de uma lenda e isso não quer dizer, no entanto, que ele não existiu e que o martírio dele não foi significativo” -, diz o monsenhor Arnaldo Beltrani, vigário episcopal de comuni­cação da Arquidiocese de São Paulo.
Há uma grande varieda­de de histórias relacionadas a São Jorge.
O relato e a imagem, por todos conhecidos, do cavalei­ro que luta contra o dragão, começaram a ser difundidos na Idade Média e são muito usados para provar que o santo não teria passado de um mito.
A versão mais corrente dá conta de que um horrível dragão saía de vez em quan­do das profundezas de um lago e atirava fogo contra os muros de uma longínqua cidade do Oriente, trazendo morte com seu mortífero hálito. Para não destruir toda a cidade, o dragão exi­gia, regularmente, que lhe en­tregassem jovens mulheres para serem devoradas.
Um dia coube à filha do rei ser oferecida, em comida, ao monstro e o rei, que nada poderia fazer para evitar o destino horrível de sua filha, acompanhou-a com lágri­mas até as margens do lago, quando de repente apareceu um soldado montado em um cavalo branco e, destemida­mente, enfrentou as labare­das que saíam da boca do dragão e as venenosas nu­vens de fumaça de enxofre que eram expelidas pelas na­rinas daquele monstro. Com sua espada de ouro e sua lança de aço, São Jorge ven­ceu o terrível dragão.
O grande guerreiro assegurou ao povo que tinha vindo em nome de Cristo para vencer o dragão e que eles deviam converter-se e serem batizados.
A relação entre o santo e a Lua viria de uma lenda antiga que acabou virando crença para muitos.
Diz a tradição que as manchas, apresentadas pela Lua, representam o mila­groso Santo e sua espada para defender aqueles que buscam sua ajuda.
Embora muitos não acre­ditem em suas histórias e outros acreditem que o san­to tenha sido cassado pela Igreja Católica, o martírio de São Jorge e o seu culto con­tinuam sendo reconhecidos pelo Catolicismo.
O dia de São Jorge tornou-se opcional com a reforma do calendário litúrgico, rea­lizado pelo papa Paulo VI, em maio de 1969.
São Jorge tem forte representação na Umbanda e no Candomblé
No Candomblé e na Umbanda, ele é o desbravador de todos os caminhos e senhor do ferro e do aço. Protege os agricultores, os soldados, os artesãos e seus filhos e a todas as pessoas que pedem a sua ajuda nas lutas, na justiça ou até mesmo por melhores condições de vida. Orixá do elemento terra, Ogum é pleno de energia e empreendedor e suas decisões são rápidas, ama a liberdade, mas é a sua falta de paci­ência que faz com que, às vezes, se torne rude, embora não deixe de ter calor humano.
Filho do orixás Yemanjá e Oxalá, governa e rege sobre as guerras, batalhas, dificuldades, demandas, disputas e desentendimentos.
SUAS REGÊNCIAS
Nome
Ogum
Origem
Nigéria
Elemento
Terra
Suporte
Ferro
Domínio
Caminhos e progresso
Cores
Azul escuro e verde no Candomblé e vermelho na Umbanda
Saudação
Ogunhê
Oferendas
Feijão preto, inhame e cerveja branca
Flor
Cravo branco
Frutas
Manga espada e goiaba
Minério
Ferro
Pedras
Topázio azul e lápis-lazúli
Números
2, 7, 14 e 21
Dia da semana
Terça-feira
Meses do ano
Abril e junho
Sincretismo
São Jorge e Santo Antô­nio
Lua
Nova
Folhas
Mariwô: folha de palmeira; peregum: nativo; Odun-dun: folha da costa (saião)
QUALIDADES NO CANDOMBLÉ
Ogum Onirê
Ogum Já
Ogum Megê
Ogum Onibòde
Ogum Biim
Ogum Wari
etc.
QUALIDADES NA UMBANDA
Ogum Beira-mar
Ogum Sete Ondas
Ogum Megê
Ogum Yara
Ogum Rompe Mato
Ogum Dile
etc.
CANTIGAS NO CANDOMBLÉ
Euá xirê ogun ô
Erô jô Jô
Euá xirê ogun ô
Erô jô Jô
Eru jê jê
Ê ogún ajo
Ê mariô
Acorê ajo
Ê mariô
Uuà lê pá
Lê panan
Ogun ajo
Ê mariô E atum nhé nhé
CANTIGAS NA UMBANDA
Eu tenho sete espadas pra me defender
Eu tenho sete espadas pra me defender
Eu tenho Ogum em minha companhia
Ogum é meu pai
Ogum é meu guia
Ogum vai baixar
Na fé de Zambi
E da Virgem Maria
Se a sua espada brilha no raiar do dia
Seu Beira-mar é filho da Virgem Maria
Seu Beira-Mar, beiran­do areia,
Seu Beira-Mar é filho da mamãe sereia
Banho na energia de Ogum para abrir caminhos
7 espadas de São Jor­ge
7 lanças de São Jorge
7 folhas de saião
Ferva todas as ervas, por aproximadamente 5 minutos, em dois li­tros de água. Banhe-se do pescoço para baixo em um terça-feira de Lua Nova.
Comida de Ogum
1 inhame
azeite de dendê
1 alguidar pequeno
Asse o inhame inteiro, abra-o ao meio em comprimento, coloque-o         no alguidar e regue com dendê as duas partes; ofereça a Ogum em uma estrada junto de sete moedas correntes.
Ebó do Ogum
1 alguidar de barro
2 acaçás brancos
2 ovos
2 moedas correntes
2 pãezinhos franceses
1 punhado de canjica branca cozida
Passar no corpo na seqüência acima, coloque tudo no alguidar, e leve a um morro bem alto e ofereça a Ogum Onirê. Acenda duas velas brancas ao lado do Ebó.

Pai Nené dÓgum
Fonte: Revista Orixás, Candomblé e Umbanda – Ano I – N° 03

Ogum e São Jorge

JORNAL DE UMBANDA SAGRADA

Doutrina e Cultura Umbandista

PAI OGUM e JORGE DA CAPADÓCIA

POR MÔNICA BEREZUTCHI

No mês de abril, mais precisa­mente dia 23, é comemorado nos Templos de Umbanda, o dia de Pai Ogum.

Orixá da Lei Maior, que rege atra­vés das suas essências eólicas, direcio­nando, abrindo caminho, quebrando de­manda. Protetor incansável de seus filhos que lutam por um mundo melhor, que ainda carregam dentro de si a mo­ral, a honra, o caráter, a retidão e a le­­al­dade.

Palavras essas que a princípio pa­recem muito fáceis de praticar, mas só quem as pratica de verdade, no mundo em que vivemos, sente o impacto que causa nas outras pessoas, achando que tais atitudes são “falsas”, e que hoje não existem mais pessoas com conteúdos interiores nobres. Por isso, sofrem discriminação, são per­seguidas, vilipendiadas e acusadas de querer apa­rentar o que não são. Com todas essas acusações e atra­vés delas, só se sabe realmente quem é de fato um filho de Ogum, aquele que passa por isso, e mesmo assim não se corrompe, não desce seu nível vibrató­rio, não compro­mete sua espiritualida­ de, e principalmente não destrói seus princípios.

Pai Ogum tem a liberdade de percor­rer os campos da consciência dos seus filhos, aqueles que são verdadeiros ma­nifestadores de suas essências vivas e Divinas. Em suas manifestações, o Orixá Pai Ogum quando ‘incorpora’ em seus filhos traz uma postura de guerreiro.

O seu elemento é o ferro e suas armas simbólicas são: espadas, lanças e escudos.

Suas pedras são: granada, hematita, rubi, magnetita, sodalita e ágata azul.

Suas cores: vermelho, azul escuro, branco e prata.

Saudação: Ogum Yê! Seus pontos cantados são fortes e marciais.

Os guias espirituais que se mani­festam sobre a irradiação de Pai Ogum são: fortes, firmes e direcionadores, tendo como missão trazer a ordem, a disciplina, tanto do ambiente quanto da mente dos médiuns e consulentes.

Qualidades de Pai Ogum: Pai Ogum Matinata; Pai Ogum Beira Mar; Pai Ogum Iara; Pai Ogum Megê; Pai Ogum 7 Espadas; Pai Ogum de Lei; Pai Ogum Rompe Mato.

Temos o sincretismo: São Jorge e Santo Expedito.

Flores: Cravo vermelho, crista de galo, palma vermelha, antúrio, espa­da de São Jorge.

Ponto de Força: Campo aberto, encruzilhada, estrada e caminhos.

Tudo é regido por uma Lei imutável: a Lei do Criador, que é a ordem das coi­sas em todos os planos da vida e em todos os níveis consciências.

Lei Divina é a Lei Maior, que rege tudo e a todos e conduz para sua senda evolutiva.

A Lei da Umbanda é essa Lei de Deus, justa e poderosa.

As outras leis estão dento dela: carma, reencar­nação, causa e efeito e afinidades.

A Lei Maior é o campo de atuação de Pai Ogum, que ordena os procedi­mentos, os processos e as normas ditadas pelo Divino Criador, anulando tudo que estiver em desacordo com ela. Seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão, a emoção e a orde­nação dos processos e proce­dimentos. É o Senhor do Movi­mento, o Senhor dos Caminhos e das Es­tradas, o Senhor que Quebra Demandas e Arrebenta as Amarras e nos liberta.

Quando a Lei quer recompensar, é Ogum quem nos dá. Quando caminha­mos rumo à Luz, Ogum está à nossa di­rei­ta para nos proteger com seus símbolos, escudos e espadas. Que o escudo de Pai Ogum possa proteger todos àqueles que, trabalham na Umbanda com o objetivo da verda­deira fé, amor e caridade. Saravá Ogum! Salve Ogum! Axé Ogum!

Jorge da Capadócia Musica

/poesia/ oração de dominio publico Gravada por Jorge Ben Jor / Caetano Veloso / Racionais MC / Fernanda Abreu

Jorge sentou praça na cavalaria

E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia

Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Para que meus inimigos tenham pés… e não me alcancem!

Para que meus inimigos tenham mãos… não me peguem, não me toquem!

Para que meus inimigos tenham olhos… e não me vejam! E nem mesmo um pensamento eles possam ter… para me fazerem mal! Armas de fogo… Meu corpo não alcançarão! Facas, lanças se quebrem… Sem o meu corpo tocar! Cordas, correntes se arrebentem.. . Sem o meu corpo amarrar! Pois eu estou vestido… Com as roupas e as armas de Jorge ! ! ! Jorge é de Capadócia… Salve Jorge! Jorge é de Capadócia… Salve Jorge! Salve Jorge! Salve Jorge!

Desenvolvimento e Trabalho

Todos sabemos que o médium deve procurar uma casa de santo para seu desenvolvimento espiritual. Isso porque quando nos envolvemos com a espiritualidade em geral, abrimos canais energéticos em nosso organismo, tanto físico quanto espiritual, à forças que se não forem devidamente conhecidas, reconhecidas e tratadas poderão nos causar vários problemas, tanto físicos quanto espirituais.


A figura do Zelador de Santo, Pai de Santo ou Dirigente Espiritual, como queiram os diversos pontos de vista, tem uma importância capital neste mister. A estabilidade espiritual da casa também. Um Centro Espírita não é somente uma construção física, ele é um ambiente sagrado no qual há forças sustentadas pelos assentamentos, obrigações e pelo próprio fluido espiritual emanado do corpo mediúnico, além é óbvio, do apoio e proteção dos guias chefes da casa que mantém o ambiente sadio e fortalecido de maneira que as influências negativas não tenham campo propício para agir. Neste caso pode-se perceber o quanto é importante para o médium, ao dirigir-se para uma sessão no seu Terreiro, ir imbuído da maior boa vontade e sentimentos puros, pois cada gota de seus fluídos será somada ou diminuída de acordo com sua qualidade.
Entretanto, temos que ter em mente o ideal principal da religião. Ela não existe simplesmente para se transformar ambientes, compor visuais ou demonstrar o quanto somos organizados e bem vestidos.


Nossos guias espirituais não têm nossas vaidades e a beleza que aos nossos olhos ainda é importante, para eles é inócua, ainda que se sintam satisfeitos quando as produzimos de boa vontade. Não há erros em desejarmos nossas casas bem arrumadas, decoradas e limpas, iluminadas e organizadas, mas que esses desejos não saiam nunca dos ambientes físicos e se confundam com necessidades espirituais.


Não é desejável que o médium faça atendimentos em sua própria casa ou em quaisquer outros ambientes que não o Centro Espírita, Terreiro, Ilê, ou qualquer outro nome com o qual queiram designá-los. No entanto, a caridade como finalidade principal da atividade religiosa, não escolhe hora nem lugar. O que mais importa é sua própria prática e assim, em momentos de necessidade, o médium poderá fazer uso de suas potencialidades no sentido de ajudar a um irmão em dificuldades. Mas não nos iludamos com isso a ponto de acharmos que a necessidade é diária e com isso justifiquemos vaidades ou intenções particulares.


Tenho visto com extrema alegria pessoas singulares, muitas vezes carentes de condições financeiras e culturais, simplórias mesmo, que somente apoiadas nas suas boas vontades e sentimentos puros, no interior de seus barracos de madeira, à luz de uma vela e um simples galho de arruda praticarem verdadeiros milagres.


Mais uma vez conclamo a todos a não permitirem em seus corações novos sentimentos de vaidade, achando que este exemplo acima os exime de um bom desenvolvimento e das obrigações inerentes a um filho de Santo. Lembremo-nos que a necessidade é a mãe da realização, mas que o conhecimento é caminho da evolução. Somos responsáveis por aquilo que cativamos e cada passo que damos à frente não nos permite mais caminharmos em caminhos anteriores.


Pratiquem sem medo suas espiritualidades pois nossos Orixás e Entidades são nossos protetores e não nossos algozes. Com certeza nos ajudarão sempre que estivermos em dificuldades e nas horas de boas intenções, mas saberão exatamente o quanto de vaidade e personalismo vai em nossos corações.


O médium está em constante evolução e desenvolvimento, não há qualquer médium que não possa mais, pelo tempo que tenha de religião, participar de uma corrente para livrar um filho de uma influência espiritual negativa; ajudar um irmão menos desenvolvido que ainda balança e quase cai ao contato com a influência de seus guias; cambonar um guia de irmãos mais novos enquanto não estão manifestados; servir um copo de água a quem acabou de desincorporar; afinal, ser útil de alguma forma.


As qualidades mediúnicas tais como a vidência, principalmente, têm também graus de evoluções.
É de suma importância, para os videntes, aceitarem existir muitas coisas que não consigam enxergar, não porque tal energia não exista, mas que ainda não haja evolução suficiente para visualizá-la.


A humildade é o maior atributo do médium, a vaidade sua maior desgraça!
Procuremos o mais que possamos, aumentar uma e diminuir a outra. Cada um de nós somos um grão de areia frente às montanhas de fatos existentes e desconhecidos por nós.

(Autoria desconhecida)

Um Esclarecimento Espiritual Dos Exus Amparadores

por Wagner Borges

Ainda agora, enquanto eu preparava o material para a 1ª aula do curso de
Orientalismo e Espiritualidade (com ênfase nos ensinamentos dos Upanishads)
que iniciarei daqui a pouco no IPPB para cerca de 235 pessoas, percebi uma
certa manifestação energética por fora do meu apartamento. Fechei os olhos e
concentrei-me para verificar o que era. Pulsei luz no meu chacra frontal e
nas mãos enquanto erguia os pensamentos e sentimentos ao Supremo Amor para
sintonizar a consciência com as energias elevadas.

Fora do apartamento (moro no quinto andar), em pleno ar, surgiu uma
fenda escura. Eu sabia que era uma passagem interdimensional para o plano
extrafísico. Do outro lado da mesma, muito embora eu não pudesse vê-los
diretamente, estava um grupo de Exus que trabalham nos ambientes pesados do
Astral desmanchando as porcarias que os encarnados encomendam aos seus
asseclas desencarnados que patrocinam certos processos de magia trevosa.

Eles operam em climas pesadíssimos e são craques em dissolver as
energias pesadas emanadas pelo ódio. Costumam trabalhar associados as
egrégoras afro-brasileiras, principalmente na Umbanda. São espíritos que não
costumam aparecer ostensivamente e não são dados a floreios espirituais.
Costumam ser bem diretos e falam na cara o que for preciso, sem qualquer
dose de concessão ao ego de quem os escuta. Dentro de sua maneira direta de
agir, eles não suportam pessoas hipócritas e nem espiritualistas que
complicam o serviço com os seus problemas corriqueiros. Também não gostam de
pessoas que trabalham sem honra no caminho e apenas voltadas para a
resolução de suas problemáticas infantis.

Apesar de aparentarem um jeitão meio agressivo (quem os critica não
trabalha com as energias pesadas que eles tem que aturar a toda hora e nem
tem metade da raça desses amigos que operam no Umbral e que tanto ajudam a
humanidade sem receberem o mínimo reconhecimento) , respeitam muito a quem
trabalha verdadeiramente voltado para a Espiritualidade Superior. Em muitas
ocasiões de minha vida fui ajudado por esses Exus e outras entidades ligadas
às atmosferas psíquicas afro-brasileiras. Por diversas vezes, principalmente
em projeções da consciência com resgates extrafísicos dificílimos, esse
pessoal me ajudou e protegeu, sempre de forma limpa e sem me cobrar coisa
alguma.

Alguns desses grupos extrafísicos trabalham ligados a diversos mestres
espirituais que ajudam invisivelmente a humanidade. Servem nos planos densos
sob o comando secreto dos mentores que patrocinam o esclarecimento
espiritual planetário. São eles que seguram as barras pesadas nos ambientes
crosta-a-crosta e nos planos extrafísicos densos (umbralinos) . São eles os
amparadores que descem as Furnas malignas para enfrentar o mal que se
esconde do olhar dos homens sem fé e sem coragem.

Sim, são eles que se revestem de coragem e partem para os combates com
os agentes extrafísicos patrocinadores e exploradores das trevas humanas que
se escondem aos olhos dos homens, mas que são observadas por esses
Exus-amparadores. São eles que ajudam muito a proteção de diversos grupos
espiritualistas e nunca são reconhecidos pelos mesmos (muitos grupos estão
mais preocupados com combates com os agentes extrafísicos patrocinadores e
exploradores das trevas humanas que se escondem aos olhos dos homens, mas
que são observados por esses Exus-amparadores. São eles que ajudam muito a
proteção de diversos grupos espiritualistas e nunca são reconhecidos pelos
mesmos (muitos grupos estão mais preocupados com a pureza doutrinária do que
com a verdade que se apresenta e precisa ser evidenciada de forma
universalista) .

Nesse instante, enquanto escrevo essas linhas, sinto a presença do Pai
Joaquim de Aruanda, amparador Preto Velho ligado às vibrações da Umbanda e
que também já me ajudou em muitas projeções. É ele que está patrocinando
esse contato espiritual com os Exus amigos e permitindo a manutenção das
vibrações sadias que me inspiram a escrever tudo isso.

Voltando ao relato com o qual iniciei esses escritos, os Exus que
estavam do outro lado da fenda interdimensional me passaram uns toques
espirituais importantes. Alguns deles são de cunho pessoal e referem-se a um
processo extrafísico pesado no qual estão envolvidas algumas pessoas que
estou tentando ajudar. Porém, alguns dos toques são de cunho geral e poderão
ser úteis para a reflexão de outras pessoas que estudam a Espiritualidade.
Aliás, esse foi o motivo que me fez correr aqui para o computador e escrever
logo para não esquecer posteriormente.

Vou colocar por tópicos para facilitar:

1. “Muitas pessoas que correm para os lugares espiritualistas em busca de
ajuda não merecem ser ajudadas. Não fazem nada para melhorar, só querem que
alguém tire o peso de seus cangotes.”

2. “O ser humano é muito falso mesmo. Vai pedir ajuda espiritual como se
fosse um perseguido e injustiçado, mas nem conta dos desejos cruéis que
carrega e que são a causa de sua desdita.”

3. “Os obsessores são tinhosos mesmo e perturbam muito, principalmente se a
pessoa lhes dá fartura de pensamentos ruins na cachola e lhes dá a guarida
de suas energias.”

4. “Algumas porradas espirituais que as pessoas levam são bem merecidas.
Quem manda mexer com o que não deve? Quem enfia a mão no vespeiro quer ser
ferroado. Depois não adianta reclamar!”

5. “As pessoas olham muito para os defeitos dos outros. Por isso não tem
tempo de enxergarem suas próprias mazelas. Mas os obsessores adoram vê-las,
ao vivo e a cores, direto dentro delas mesmas, de preferência acoplados
juntos e fazendo a festa.”

6. “Quem trabalha direito e segue seu caminho com honra não precisa de
proteção espiritual. A luz de seus propósitos já lhe protege e inspira.
Porém, em alguma necessidade a mais, pode contar com a gente mesmo. Nem
precisa pedir. Quem é raçudo no rala-rala da vida e ainda pensa no bem dos
outros merece ser tratado com o devido respeito.”

7. “Tem muita gente fazendo coisa braba para os outros. Problema delas! Vão
se ferrar, mais cedo ou mais tarde. Tudo o que elas mandarem na intenção de
alguém irá voltar para elas mesmas lá na frente.”

8. “Quanto maior for à má intenção de alguém, maior será a chusma de
espíritos perversos agarrados em suas energias.”

9. “Tem muita gente rezando para acabar com alguém ou para conquistar a
força o que não merece. Ah, eles vão se ferrar!!!”

10. “A maioria das pessoas não tem vergonha na cara. Rezam pouco, pensam mal
dos outros, estão cheias de medo e ainda deixam a guarda aberta por causa de
seus rolos emocionais. Depois ainda ficam se perguntando o por que de tantas
coisas ruins estourando em suas vidas pequenas e apagadas.”

11. “A grana que o pessoal paga em algum lugar para fazer coisa braba para
os outros poderia ser usada para ajudar os pobres. Quem faz isso merece as
porradas espirituais que leva e os obsessores que arrasta em sua companhia.”

12. “O dinheiro não é capaz de comprar uma noite de sono com a consciência
tranqüila. E é durante o sono que muita gente se ferra no Astral. Tem
espírito brabo doido para fungar em seus cangotes e sugar suas energias. E
tem gente que ainda acha que é pesadelo.”

13. “Quem é justo tem a proteção que merece. Pode sair do corpo sem susto.
Está em casa e não tem o que temer. Pode voar por aí e aproveitar as horas
de recreio espiritual.
Os guias espirituais os orientarão e os protegerão de qualquer coisa, desde
que sejam justos.”

14. “Muitos já nos chamaram de polícia do baixo astral ou de lixeiros do
Astral inferior. Pela parte que nos toca, muito obrigado. Mas nós somos
mesmo é ajudantes de serviços gerais no Astral. Fazemos o que é preciso e
justo, sem passar dos limites que os Maiorais da Espiritualidade nos
determinaram. Nenhum de nós é traíra! Somos o que somos. Somos honrados e
ninguém nos compra. E ai de quem tentar nos enrolar com promessas falsas ou
intenções ruins.”

PS: Um deles ainda me disse o seguinte: “Se você vai escrever mesmo o nosso
recado, então vai fundo. Escreve tudo mesmo. Pode esperar que você será
criticado por isso. Dane-se! Faz com honra e verdade e dane-se o que os
hipócritas de plantão pensam. Os obsessores deles que se entendam com eles.
Se você faz o seu serviço com convicção e é guiado pela Espiritualidade
Superior, manda ver! O seu coração sabe o quanto de verdade que há nesse
nosso papo. E tem muita gente que entenderá o recado sim. E não é aquela
gente que se acha espiritualizada não (se acham muito espertos, mas dançam
feio em muitas situações que só a galera do Invisível é que vê). Quem
entenderá esse recado são as pessoas simples de coração e de mente. A elas o
nosso respeito.”

Nota: Enquanto finalizo esses escritos, também está presente um dos
amparadores do grupo de Ramatís supervisionando tudo.

Um último esclarecimento: Como elemento interdimensional consciente e que
percebe outros planos e seres espirituais, é minha tarefa passar para o
plano físico muito do que vejo como forma de esclarecimento espiritual
universalista. Alguns entendem isso, outros não. Não importa. Não escrevo
para agradar a doutrina ou o condicionamento de ninguém mesmo. Só sei que
apesar dos defeitos que tenho, os propósitos que movem o meu trabalho são
justos e que tento caminhar com honra na tarefa que me foi designada pela
Espiritualidade.

Agradeço muito ao Grande Arquiteto Do Universo pela oportunidade de viver na
Terra e de andar com a mente e o coração abertos a tudo aquilo que seja
positivo e criativo na manifestação da vida. Na casa secreta do meu coração
há espaço para todas as correntes de trabalho espiritual que fazem o bem
para a humanidade.
Agradeço aqui de forma explícita a todos os amparadores das egrégoras
afro-brasileiras que sempre deram uma grande força e proteção na tarefa
espiritual e humana em que estou envolvido.
E também deixo aqui registrada toda a minha alegria de trabalhar com a
Espiritualidade, minha grande riqueza de consciência e que nem a morte pode
roubar-me, pois é estado de consciência íntimo e intransferível. Paz e Luz.

São Paulo, 16 de julho de 2002, às 18h.

Texto extraído do Jornal de Umbanda Sagrada – Edição 28

Um Filho de Fé

Numa praia deserta caminhava um filho de fé…

Atormentado por suas mágoas e provações, buscava por um alento um consolo. Buscava forças e um sinal de esperança, para poder continuar lutando….

Olhava fixamente para as águas do mar, as ondas se quebrando, vindo do horizonte aos seus pés se esparramar…

Uma lágrima entristecida, cobriu-lhe a face, seu coração apunhalado pelas intrigas e maldades dos seu irmãos, já se tornava insuportável….

“Então”…

Quando percebeu, já estava distante, foi quando notou que já estava entardecendo…

O vento soprou em seu rosto e veio a sua intuição…

A Senhora dos Ventos, Mãe Iansã, e a saudou com alegria e sentiu suas magoas serem levadas pelo vento, a paz começou a renascer…

Olhou para o poente e viu no céu as nuvens avermelhadas, então com grande força saudou o Senhor das Demandas, seu Pai Ogum, e aos poucos o peso que lhe afligia se quebrava, e continuou caminhando…

Observou na beira das águas, peixinhos dourados a cintilar, foi então que seu coração se encheu de doçura e saudou Mamãe Oxum, que o abençoava com seu sagrado e divino manto…

Aos poucos, leves gotas de chuva tocaram a sua pele e a paz de espírito e o amparo que sentiu o fez lembrar-se de Nanã Buruque, que com sua lama sagrada, aliviou por completo suas dores causadas pelos tormentos materiais e espirituais, e a saudou com grande festividade…

Perdido em seus pensamentos o filho de fé, caminhava fascinado, quando de repente a brisa tocou seus cabelos e junto com elas trouxe folhas distantes, sem hesitar saudou Pai Oxossi, e pediu em sua mente que aquelas folhas lhe purificassem e o livrassem de todos os sentimentos impuros.Sua concentração foi interrompida ao ver um raio iluminar o céu, e ouviu um alto estrondo que lhe encheu o peito de coragem.”Kaô Kabecilê”, e sentiu a mão forte do seu pai Xangô, então confiante, não mais sofria pelas injustiças,pois seu pai lhe protegia…

Então admirado, sentou-se a beira mar, olhou para o céu e viu uma constelação, e lembrou-se das almas benditas e dos adoráveis pretos velhos, e sem se esquecer do bondoso Pai Obaluaê, que aos poucos com seu fluido curava as chagas do seu corpo e espírito…

Fixou o olhar no céu, e nas nuvens brancas a rodear as estrelas e uma delas brilhava e cintilava, como se fosse o centro do Universo, então humildemente, nosso irmão de fé agradeceu a Pai Oxalá por ter lhe dado o Dom da Mediunidade e poder levar alento e paz aos irmãos necessitados…

Então um perfume exalava de dentro do mar, eram rosas perfumadas que chegavam até ao seus pés, e foi ai que avistou Mãe Iemanjá, seu coração não se continha de tanta alegria, sua mãe o amparava e o confortava, e veio a sua mente…….

“A elevação do filho de fé….

Não está na força ou sabedoria, mas sim em seu coração…

Porque ele pode saber pouco ou não ter força alguma.Mas sente a essência e o fundamento da verdadeira Umbanda…

Paz, Amor e Caridade!!!”

(autor desconhecido)

Ogum

OGUM

O PERFIL DO ORIXÁ

Divindade masculina ioruba, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exu, está mais próxima dos seres humanos. Foi uma das primeiras figuras do candomblé incorporada por outros cultos, notadamente pela Umbanda, onde é muito popular. É Sincretizado com São Jorge ou com Santo Antônio, tradicionais guerreiros dos mitos católicos, também lutadores, destemidos e cheios de iniciativa.

A relação de Ogum com os militares (é considerado o protetor de todos os guerreiros) tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo ioruba. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonaram um processo violento e incontrolável; se não encontrar inimigos diante de si após te sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou.

Ogum não era, segundo as lendas, figura que se preocupasse com a administração do reino de seu pai, Odudua; ele não gostava de ficar quieto no palácio, dava voltas sem conseguir ficar parado, arrumava romances com todas as moças da região e brigas com seus namorados.

Não se interessava pelo exercício do poder já conquistado, por que fosse a independência a ele garantida nessa função pelo próprio pai, mas sim pela luta.

Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão: aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte.

Segundo as pesquisas de Monique Augras, na África, Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, tatuadores, e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática: tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na industria automobilística, de computação e da aviação.

Assim, Ogum não é apenas o que abre as picadas na matas e derrota os exércitos inimigos; é também aquele que abre os caminhos para a implantação de uma estrada de ferro, instala uma fábrica numa área não industrializada, promove o desenvolvimento de um novo meio de transporte, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido.

É pois, o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão.

Tem, junto com Exu, posição de destaque logo no início de um ritual. Tal como Exu, Ogum também gosta de vir à frente. A força de Ogum está tanto na coragem de se lançar à luta como na objetividade que o domina nesses momentos (e o abandona nos momentos de prazer e gozo).

É fácil, nesse sentido, entender a popularidade de Ogum: em primeiro lugar, o negro reprimido, longe de sua terra, de seu papel social tradicional, não tinha mais ninguém para apelar, senão para os dois deuses que efetivamente o defendiam: Exu (a magia) e Ogum (a guerra); segundo Pierre Verger. Em segundo lugar, além da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do conquistador mas também do trabalhador manual, do operário que transforma a matéria-prima em produto acabado: ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem modificadas .

Ogum gosta do preto no branco, dos assuntos definidos em rápidas palavras, de falar diretamente a verdade sem ter de preocupar-se em adaptar seu discurso para cada pessoa.

Ogum gosta de dormir no chão, precisa que o corpo entre em contato sempre direto com a natureza e dispensa roupas elaboradas e caras, que possam ser complicadas de vestir ou que exijam muito espaço na mochila. Não tem compromisso com ninguém, nem com seus próprios objetos.

A violência e a energia, porém não explicam Ogum totalmente. Ele não é o tipo austero, embora sério e dramático, nunca contidamente grave. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo; quando apaixonado, sua sensualidade não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Ogum sempre ataca pela frente, de peito aberto, como o clássico guerreiro.

Existem sete tipos diferentes de Ogum, mas Ogum Xoroquê merece um destaque específico, pois é um Orixá masculino duplo, ou seja possui duas formas diferentes de manifestação. É associado à irmandade e afinidade estreita de Ogum com Exu, pois passa seis meses do ano como Ogum e os outros como Exu, sendo considerado guerreiro feroz, irascível e imbatível.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OGUM

Não é difícil reconhecer um filho de Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto.

Os homens e mulheres que têm Ogum como seu Orixá de cabeça, vão ter comportamentos diferentes, de acordo com os segundos e terceiros Orixás que os influencia ajuntós (adjutores). De qualquer forma , terão alguns traços comuns: são conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, conseqüentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande, a franqueza absoluta, chegando mesmo à falta de tato.

Características

Cor

Vermelha (Azul Rei) (Em algumas casas também o verde)

Fio de Contas

Contas e Firmas Vermelhas Leitosas

Ervas

Peregum(verde), São Gonçalinho, Quitoco, Mariô, Lança de Ogum, Coroa de Ogum, Espada de Ogum, Canela de Macaco, Erva Grossa, Parietária, Nutamba, Alfavaquinha, Bredo, Cipó Chumbo.(Em algumas casas: Aroeira, Pata de Vaca, Carqueja, Losna, Comigo Ninguém Pode, Folhas de Romã, Flecha de Ogum, Cinco Folhas, Macaé, Folhas de Jurubeba)

Símbolo

Espada. (Também, em algumas casas: ferramentas, ferradura, lança e escudo)

Pontos da Natureza

Estradas e Caminhos (Estradas de Ferro). O Meio da encruzilhada pertence a Ogum.

Flores

Crista de Galo, cravos e palmas vermelhas.

Essências

Violeta

Pedras

Granada, Rubi, Sardio. (Em algumas casas: Lápis-Lazúli, Topázio Azul)

Metal

Ferro (Aço e Manganês).

Saúde

Coração e Glândulas Endócrinas

Planeta

Marte

Dia da Semana

Terça-Feira

Elemento

Fogo

Chakra

Umbilical

Saudação

Ogum Iê

Bebida

Cerveja Branca

Animais

Cachorro, galo vermelho

Comidas

Cará, feijão mulatinho com camarão e dendê. Manga Espada

Numero

2

Data Comemorativa

23 de Abril (13 de Junho)

Sincretismo

São Jorge. (Santo Antônio na Bahia)

Incompatibilidades:

Quiabo

Qualidades

Tisalê, Xoroquê, Ogunjá, Onirê, Alagbede, Omini, Wari, Erotondo, Akoro Onigbe.

Texto e ilustração extraídos do livro Os Orixás, publicado pela Editora Três e alguns sites.

É impressionante a pressa que alguns médiuns iniciantes tem, em mal entrar em um Terreiro de Umbanda, e já “sair incorporando”.

Entendemos a pressa do médium em “começar a fazer caridade”, mas é fundamental que se entenda que não é somente “dando incorporação” que a caridade é feita. Além do mais, se este for mesmo o tipo de mediunidade da pessoa, há que se esperar e se certificar de inúmeros fatores antes de “colocar o médium para dar consulta”.

É claro que cabe ao Dirigente explicar e orientar que tudo tem seu tempo e sua hora, que o desenvolvimento mediúnico não ocorre exatamente igual com todos… mas muitas pessoas ficam dizendo que antes de entrar para o terreiro incorporavam “por nada”, no trabalho, na escola, lendo, etc, praticamente exigindo ou “culpando” o Terreiro por não estar incorporando agora.

Por que isto acontece? Simples. Enquanto o médium não entra para uma corrente, a sua mediunidade fica absolutamente sem disciplina e sem doutrina, a partir do momento que ingressa, que passa a fazer parte da corrente de um terreiro,  tanto médium quanto entidades passarão por um processo de adaptação e aprendizado, que visa disciplinar tanto um quanto outro. Além do mais, como ter certeza que era realmente incorporação e não simples animismo, ou descontrole emocional e nervoso?

É fundamental esse tempo, para que todas as orientações possam ser absorvidas e compreendidas.

Apressar qualquer processo de desenvolvimento mediúnico, querer queimar etapas, que se existem, são importantes, é certamente colocar em risco todo o processo.

Lições que deveriam ser absorvidas, são apenas ultrapassadas, sem a devida confirmação de aprendizado.

Precipitar o processo pode acarretar em desânimo e frustração no futuro, pode transformar um bom médium num embusteiro, num vaidoso e talvez até fazendo com que se desvie do caminho, culpando a Umbanda pela incompetência do dirigente em explicar e orientar e do médium em esperar.

Além do mais, quando isto acontece é justamente para se ver a determinação do médium, se ele realmente deseja fazer caridade, ser umbandista, ou está apenas empolgado.

Portanto lembrem-se, quando tratamos de desenvolvimento mediúnico falamos em processo, onde a pressa é inimiga da compreensão e, conseqüentemente, da evolução.

Mensagem psicografada por Mãe Iassan Ayporê Pery,

dirigente do CECP a ser publicada no livro “Umbanda – Mitos e Realidade” (no prelo)

Mãe Nanã

Nanã

A Orixá Nanã rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres. Atua decantando os seres emocionados e preparando-os para uma nova “vida”, já mais equilibrada.

…A Orixá Nanã Buruquê rege uma dimensão formada por dois elementos, que são: terra e água. Ela é de natureza cósmica pois seu campo preferencial de atuação é no emocional dos seres que, quando recebem suas irradiações, aquietam-se, chegando até a terem suas evoluções paralisadas. E assim permanecem até que tenham passado por uma decantação complexa de seus vícios e desequilíbrios mentais.

…Nanã forma com Obaluaiyê a sexta linha de Umbanda, que é a linha da Evolução. E enquanto ele atua na passagem do plano espiritual para o material (encarnação), ela atua na decantação emocional e no adormecimento do espírito que irá encarnar. Os Orixás Obá e Omulu são regidos por magnetismos “terra-pura” . Enquanto que Nanã e Obaluaiyê são regidos por magnetismos mistos “terra-água”. Obaluaiyê absorve essência telúrica e irradia energia elemental telúrica, mas também absorve energia elemental aquática, fraciona-a em essência aquática e a mistura à sua irradiação elemental telúrica, que se torna “úmida”.
…Já Nanã, ela atua de forma inversa: seu magnetismo absorve essência aquática e a irradia como energia elemental aquática: absorve o elemento terra e, após fraciona-lo em essência, irradia-o junto com sua energia aquática.
…Estes dois Orixás são únicos, pois atuam em pólos opostos de uma mesma linha de forças e, com processos inversos, regem a evolução dos seres. Enquanto Nana decanta e adormece o espírito que irá incarnar, Obaluaiyê o envolve em uma irradiação especial, que reduz o corpo energético do espírito, já adormecido até o tamanho do feto já formado dentro do útero materno onde está sendo gerado.
…Este mistério divino que reduz o espírito até o tamanho do corpo carnal, ao qual já está ligado desde que ocorre a fecundação do óvulo pelo sêmen, é regido por nosso amado pai Obaluaiyê, que é o “Senhor das Passagens” de um plano para outro. Já nossa amada Mãe Nana, envolve o espírito, que irá reencarnar, em uma irradiação única, que dilui todos os acúmulos energéticos, assim como adormece sua memória, preparando-o para uma nova vida na carne, onde não se lembrará de nada do que já vivenciou. É por isso que Nana é associada à anciência, à velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou na sua vida carnal. Portanto, um dos campos de atuação de Nana é a “memória” dos seres. E, se Oxóssi aguça o raciocínio, ela adormece os conhecimentos do espírito para que eles não interfiram com o destino traçado para toda uma encarnação.
…Em outra linha da vida ela é encontrada na menopausa. No início desta linha está Oxum estimulando a sexualidade feminina; no meio está Yemanjá, estimulando a maternidade; e no fim desta linha está Nana, paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.
…Nas “linhas da vida”, encontramos os Orixás atuando através dos sentidos e das energias. E cada um rege uma etapa da vida dos seres. Logo, quem quiser ser categórico sobre um orixá, tome cuidado com o que afirmar, porque onde um de seus aspectos se nos mostra, outros estão ocultos. E o que está visível nem sempre é o principal em uma linha da vida. Saibam que Nana, em seus aspectos positivos forma pares com todos os outros treze Orixás, mas sem nunca perder suas qualidades “água-terra”.
…Nanã é passiva e atrai todos os seres que não estão aptos a alcançar os estágios superiores.Ela recolhe, esgota suas doenças(vícios) e no barro do fundo de seu lago os assenta e os imobiliza até que decantem suas impurezas ( emoções e sentimentos viciados) quando então estarão maleáveis como o barro(lodo) e prontos para serem recolhidos por Obaluaiyê que os remodelará e numa nova forma (encarnação) crescerão novamente.
…Simbolicamente representamos Nanã com a meia-lua, ou lua minuante pois é também a forma de uma bacia ou lago onde os seres pesados afundarão e decantarão em seu fundo.

Oferenda à mãe Nanã:
…-Velas brancas, roxas e rosa; champanhe rose, calda de ameixa ou de figo; melancia, uva, figo, ameixa e melão, tudo depositado à beira de um lago ou mangue.

Parte do texto retirado do Livro: “O CÓDIGO DE UMBANDA”
Obra psicografada por Rubens Saraceni.

Iansã

Iansã

Iansã

Iansã é um Orixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente cultuada sob o nome de Oiá. É um dos Orixás do Candomblé que mais penetrou no sincretismo da Umbanda, talvez por ser o único que se relaciona, na liturgia mais tradicional africana, com os espíritos dos mortos (Eguns), que têm participação ativa na Umbanda, enquanto são afastados e pouco cultuados no Candomblé. Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara. Iansã costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, e o senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome da amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, conseqüentemente, da tempestade.

Nas cerimônias da Umbanda e do Candomblé, Iansã, ela surge quando incorporada a seus filhos, como autêntica guerreira, brandindo sua espada, e ao mesmo tempo feliz. Ela sabe amar, e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiantes da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera.

Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos iorubás, é a divindade de um rio conhecido internacionalmente como rio Níger, ou Oiá, pelos africanos, isso, porém, não deve ser confundido com um domínio sobre a água.

A figura de Iansã sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais do panteão mitológico africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura – enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos.

É extremamente sensual, apaixona-se com freqüência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão.

Foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. é irrequieta, autoritária, mas sensual, de temperamento muito forte, dominador e impetuoso. É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás), em algumas casas é também dona do teto da casa, do Ilê.

Iansã é a Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim – seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita de rabo de um cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal.

É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma. Comanda também a falange dos Boiadeiros.

Duas lendas se formaram, a primeira é que Iansã não cortou completamente relação com o ex-esposo e tornou-se sua amante; a segunda lenda garante que Iansã e Ogum, tornaram-se inimigos irreconciliáveis depois da separação.

Iansã é a primeira divindade feminina a surgir nas cerimônias de cultos afro-brasileiros.

Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme. Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase estou apaixonado, tem a presença e a regência de Iansã, que é o orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado no campo amoroso. Iansã rege o amor forte, violento.

Características

Cor

Coral (amarelo)

Fio de Contas

Coral (marrom, bordô, vermelho, amarelo)

Ervas

Cana do Brejo, Erva Prata, Espada de Iansã, Folha de Louro (não serve para banho), Erva de Santa Bárbara, Folha de Fogo, Colônia, Mitanlea, Folha da Canela, Peregum amarelo, Catinga de Mulata, Parietária, Para Raio (Catinga de mulata, Cordão de frade, Gerânio cor-de-rosa ou vermelho, Açucena, Folhas de Rosa Branca)

Símbolo

Raio (Eruexim -cabo de ferro ou cobre com um rabo de cavalo)

Pontos da Natureza

Bambuzal

Flores

Amarelas ou corais

Essências

Patchouli

Pedras

Coral, Cornalina, Rubi, Granada

Metal

Cobre

Saúde

Planeta

Lua e Júpiter

Dia da Semana

Quarta-feira

Elemento

Fogo

Chacra

Frontal e cardíaco

Saudação

Eparrei Oiá

Bebida

Champanhe

Animais

Cabra amarela, Coruja rajada

Comidas

Acarajé (Ipetê, Bobó de Inhame)

Numero

9

Data Comemorativa

4 de dezembro

Sincretismo

Sta. Bárbara, Joana d’arc.

Incompatibilidades

Rato, Abóbora.

Qualidades

Egunitá, Onira, Balé, Oya Biniká, Seno, Abomi, Gunán, Bagán, Kodun, Maganbelle, Yapopo, Onisoni, Bagbure, Tope, Filiaba, Semi, Sinsirá, Sire, Oya Funán, Fure, Guere, Toningbe, Fakarebo, De, Min, Lario, Adagangbará.

Atribuições

Uma de suas atribuições é colher os seres fora-da-Lei e, com um de seus magnetismos, alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para, só então, redirecioná-lo numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.

As Características dos Filhos de Iansã

Seu filho é conhecido por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar. Em estado normal é muito alegre e decidido. Questionado torna-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro. Tem um prazer enorme em contrariar todo tipo de preconceito. Passa por cima de tudo que está fazendo na vida, quando fica tentado por uma aventura. Em seus gestos demonstra o momento que está passando, não conseguindo disfarçar a alegria ou a tristeza. Não tem medo de nada. Enfrenta qualquer situação de peito aberto. É leal e objetivo. Sua grande qualidade, a garra, e seu grande defeito, a impensada franqueza, o que lhe prejudica o convívio social.

Iansã é a mulher guerreira que, em vez de ficar no lar, vai à guerra. São assim os filhos de Iansã, que preferem as batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo.

Costumam ver guerra em tudo, sendo portanto competitivos, agressivos e dados a ataques de cólera. Ao contrário, porém, da busca de certa estratégia militar, que faz parte da maneira de ser dos filhos de Ogum, os filhos de Iansã costumam ser mais individualistas, achando que com a coragem e a disposição para a batalha, vencerão todos os problemas.

São fortemente influenciados pelo arquétipo da deusa aquelas figuras que repentinamente mudam todo o rumo da sua vida por um amor ou por um ideal. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida.

Da mesma forma que o filho de Iansã revirou sua vida uma vez de pernas para o ar, poderá novamente chegar à conclusão de que estava enganado e, algum tempo depois, fazer mais uma alteração – tão ou mais radical ainda que a anterior.

São de Iansã, aquelas pessoas que podem ter um desastroso ataque de cólera no meio de uma festa, num acontecimento social, na casa de um amigo – e, o que é mais desconcertante, momentos após extravasar uma irreprimível felicidade, fazer questão de mostrar, à todos, aspectos particulares de sua vida.

Os Filhos de Iansã são atirados, extrovertidos e chocantemente diretos. Às vezes tentam ser maquiavélicos ou sutis, mas, a longo prazo, um filho de Iansã sempre acaba mostrando cabalmente quais seus objetivos e pretensões.

Têm uma tendência a desenvolver vida sexual muito irregular, pontilhada por súbitas paixões, que começam de repente e podem terminar mais inesperadamente ainda. Se mostram incapazes de perdoar qualquer traição – que não a que ele mesmo faz contra o ser amado. Enfim, seu temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e freqüentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por elas mesmas enganados. Mas quando estão amando verdadeiramente são dedicadas a uma pessoa são extremamente companheiras.

Todas essas características criam uma grande dificuldade de relacionamentos duradouros com os filhos de Iansã. Se por um lado são alegres e expansivos, por outro, podem ser muito violentos quando contrariados; se têm a tendência para a franqueza e para o estilo direto, também não podem ser considerados confiáveis, pois fatos menores provocam reações enormes e, quando possessos, não há ética que segure os filhos de Iansã, dispostos a destruir tudo com seu vento forte e arrasador.

Ao mesmo tempo, costumam ser amigos fiéis para os poucos escolhidos ara seu círculo mais íntimo.

Cozinha ritualística


Ipetê

Cozinhe inhames descascados em água pura sem sal. Frite, a seguir, os inhames cozidos e cortados em rodelas no azeite de dendê e separe. No próprio azeite que usou para a fritura, coloque o camarão seco descascado e picado e salsa, de modo a fazer um “molho”. Coloque os inhames fritos num prato e regue-os com esse “molho”.

Acarajé

Na véspera, ponha o feijão fradinho de molho. No dia seguinte, ele estará bem inchado. Descasque o feijão – grão por grão – retirando o olho preto, e passe na chapa mais fina da máquina de moer carne. Bata bastante para que a massa fique leve, isto é, até arrebentarem bolhas. Tempere com sal e a cebola ralada. Ponha uma frigideira no fogo com azeite de dendê e aí frite os acarajés às colheradas (com uma colher das de sopa), formando, assim, os bolinhos. Depois de fritos, reserve-os e prepare o molho: soque juntos a cebola, os camarões secos, as pimentas e o dente de alho. Depois de tudo bem socado e triturado, refogue em uma xícara de azeite de dendê. Sirva os acarajés abertos com o molho, tudo bem quente.

Bobó de inhame

Cozinhe os inhames com a casca e deixe-os escorrer para que fiquem bem enxutos. Amasse-os. Ponha o azeite de dendê numa panela, junte os camarões secos, a cebola, o alho, o gengibre, a pimenta e uma colherinha de sal. Refogue bem. Acrescente os camarões frescos, inteiros, e refogue mais um pouco. Junte o inhame amassado como um purê pouco a pouco, às colheradas, mexendo sempre. Cozinhe até endurecer.

Lendas De Iansã

Iansã Passa a Dominar o Fogo

Xangô enviou-a em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Oiá, desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado, tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que desejava guardar só para si esse terrível poder.

Como os chifres de búfalo vieram a ser utilizados no ritual do culto de Oià-Iansã

Ogum foi caçar na floresta. Colocando-se à espreita, percebeu um búfalo que vinha em sua direção. Preparava-se para matá-lo quando o animal, parando subitamente, retirou a sua pele. Uma linda mulher apareceu diante de seus olhos, era Iansã. Ela escondeu a pele num formigueiro e dirigiu-se ao mercado da cidade vizinha. Ogum apossou-se do despojo, escondendo-o no fundo de um depósito de milho, ao lado de sua casa, indo, em seguida, ao mercado fazer a corte à mulher-búfalo. Ele chegou a pedi-la em casamento, mas Oiá recusou inicialmente. Entretanto, ela acabou aceitando, quando de volta a floresta, não mais achou a sua pele. Oiá recomendou ao caçador a não contar a ninguém que, na realidade, ela era um animal. Viveram bem durante alguns anos. Ela teve nove crianças, o que provocou o ciúme das outras esposas de Ogum. Estas, porém, conseguiram descobrir o segredo da aparição da nova a mulher. Logo que o marido se ausentou, elas começaram a cantar: ‘Máa je, máa mu, àwo re nbe nínú àká’, ‘Você pode beber e comer (e exibir sua beleza), mas a sua pele está no depósito (você é um animal)’. Oiá compreendeu a alusão; encontrando a sua pele, vestiu-a e, voltando à forma de búfalo, matou as mulheres ciumentas. Em seguida, deixou os seus chifres com os filhos, dizendo: ‘Em caso de necessidade, batam um contra o outro, e eu virei imediatamente em vosso socorro.’ É por essa razão que chifres de búfalo são sempre colocados nos locais consagrados a Iansã.

As Conquistas de Iansã

Iansã percorreu vários reinos, foi paixão de Ogum, Oxaguian, Exu, Oxossi e Logun-Edé. Em Ifé, terra de Ogum, foi a grande paixão do guerreiro. Aprendeu com ele e ganhou o direito do manuseio da espada. Em Oxogbô, terra de Oxaguian, aprendeu e recebeu o direito de usar o escudo. Deparou-se com Exu nas estradas, com ele se relacionou e aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Oxossi, seduziu o deus da caça, aprendendo a caçar, tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal (com a ajuda da magia aprendida com Exu). Seduziu o jovem Logun-Edé e com ele aprendeu a pescar. Iansã partiu, então, para o reino de Obaluaiê, pois queria descobrir seus mistérios e até mesmo conhecer seu rosto, mas nada conseguiu pela sedução. Porém, Obaluaiê resolveu ensinar-lhe a tratar dos mortos. De início, Iansã relutou, mas seu desejo de aprender foi mais forte e aprendeu a conviver com os Eguns e controlá-los. Partiu, então, para Oyó, reino de Xangô, e lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis, e aprenderia a viver ricamente. Mas, ao chegar ao reino do deus do trovão, Iansã aprendeu muito mais, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu a ela o seu coração.

Iansã Ganha de Obaluaiê o Poder Sobre os Mortos

Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás. Obaluaiê não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou, mas ninguém se aproximava dele, nenhuma mulher quis dançar com ele.

Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Obaluaiê e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê (festa, dança, brincadeira) estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas ekedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaiê, o deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador.

O povo o aclamou por sua beleza. Obaluaiê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato. E, em recompensa, dividiu com ela o seu reino. Iansã então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava agora, agitava no ar o eruexim (o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo). Iansã tornou-se Iansã de Balé, a rainha dos espíritos dos mortos, a condutora dos eguns, rainha que foi sempre a grande paixão de Obaluaiê.

Iansã – Orixá dos Ventos e da Tempestade !!!

Oxaguiam (Oxalá novo e guerreiro) estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguiam pediu a seu amigo Ogum urgência, Mas o ferreiro já fazia o possível. O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo. Tanto reclamou Oxaguiam que Oiá, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricação. Oiá se pôs a soprar o fogo da forja de Ogum e seu sopro avivava intensamente o fogo e o fogo aumentado derretia o ferro mais rapidamente. Logo Ogum pode fazer muitas armas e com as armas Oxaguiam venceu a guerra. Oxaguiam veio então agradecer Ogum. E na casa de Ogum enamorou-se de Oiá. Um dia fugiram Oxaguiam e Oiá, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Oxaguiam voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Oiá teve que voltar a avivar a forja. E lá da casa de Oxaguiam, onde vivia, Oiá soprava em direção à forja de Ogum. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguiam da de Ogum. E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor. E o povo se acostumou com o sopro de Oiá cruzando os ares e logo o chamou de vento. E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte soprava Oiá a forja de Ogum. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias. O povo reconhecia o sopro destrutivo de Oiá e o povo chamava a isso tempestade.

Retirado de um arquivo da internet – Autoria desconhecida.

Xangô

XANGÔ

Xangô (imagem)

Montado por Alex de Oxóssi

= Senhor, dirigente
Angô = Raio, fogo, alma
Xangô = Senhor do Raio, Senhor das Almas ou Senhor Dirigente das Almas
São Jerônimo – Xângo Agodô = Rei da Cachoeira, Senhor da Justiça, Rei das Pedreiras, dos Raios e Trovões e das Forças da Natureza.
São Pedro – Xângo Agajô = Protetor das Almas que entram no céu.
São João Batista – Xangô Kaô = Protetor dos que sofrem injustiças, Senhor Chefe das Falanges do Oriente. (Ori=Cabeça) Rei da Cachoeira, Senhor da Justiça, Rei das Pedreiras, dos Raios e Trovões e das Forças da Natureza.

Talvez estejamos diante do Orixá mais cultuado e respeitado no Brasil. Isso porque foi ele o primeiro Deus Iorubano, por assim dizer, que pisou em terras brasileiras.

Xangô é um Orixá bastante popular no Brasil e às vezes confundido como um Orixá com especial ascendência sobre os demais, em termos hierárquicos. Essa confusão acontece por dois motivos: em primeiro lugar, Xangô é miticamente um rei, alguém que cuida da administração, do poder e, principalmente, da justiça – representa a autoridade constituída no panteão africano. Ao mesmo tempo, há no norte do Brasil diversos cultos que atendem pelo nome de Xangô. No Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e Alagoas, a prática do candomblé recebeu o nome genérico de Xangô, talvez porque naquelas regiões existissem muitos filhos de Xangô entre os negros que vieram trazidos de África. Na mesma linha de uso impróprio, pode-se encontrar a expressão Xangô de Caboclo, que se refere obviamente ao que chamamos de Candomblé de Caboclo.

Xangô é pesado, íntegro, indivisível, irremovível; com tudo isso, é evidente que um certo autoritarismo faça parte da sua figura e das lendas sobre suas determinações e desígnios, coisa que não é questionada pela maior parte de seus filhos, quando inquiridos.
Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é o Orixá do raio e do trovão.Na África, se uma casa é atingida por um raio, o seu proprietário paga altas multas aos sacerdotes de Xangô, pois se considera que ele incorreu na cólera do Deus. Logo depois os sacerdotes vão revirar os escombros e cavar o solo em busca das pedras-de-raio formadas pelo relâmpago. Pois seu axé está concentrado genericamente nas pedras, mas, principalmente naquelas resultantes da destruição provocada pelos rai os, sendo o Meteorito é seu axé máximo.

Xangô tem a fama de agir sempre com neutralidade (a não ser em contendas pessoais suas, presentes nas lendas referentes a seus envolvimentos amorosos e congêneres). Seu raio e eventual castigo são o resultado de um quase processo judicial, onde todos os prós e os contras foram pensados e pesados exaustivamente. Seu Axé, portanto está concentrado nas formações de rochas cristalinas, nos terrenos rochosos à flor da terra, nas pedreiras, nos maciços. Suas pedras são inteiras, duras de se quebrar, fixas e inabaláveis, como o próprio Orixá.

Xangô não contesta o status de Oxalá de patriarca da Umbanda, mas existe algo de comum entre ele e Zeus, o deus principal da rica mitologia grega. O símbolo do Axé de Xangô é uma espécie de machado estilizado com duas lâminas, o Oxé, que indica o poder de Xangô, corta em duas direções opostas. O administrador da justiça nunca poderia olhar apenas para um lado, defender os interesses de um mesmo ponto de vista sempre. Numa disputa, seu poder pode voltar-se contra qualquer um dos contendores, sendo essa a marca de independência e de totalidade de abrangência da justiça por ele aplicada.
Segundo Pierre Verger, esse símbolo se aproxima demais do símbolo de Zeus encontrado em Creta. Assim como Zeus, é uma divindade ligada à força e à justiça, detendo poderes sobre os raios e trovões, demonstrando nas lendas a seu respeito, uma intensa atividade amorosa.

Outra informação de Pierre Verger especifica que esse Oxé parece ser a estilização de um personagem carregando o fogo sobre a cabeça; este fogo é, ao mesmo tempo, o duplo machado, e lembra, de certa forma a cerimônia chamada ajerê, na qual os iniciados de Xangô devem carregar na cabeça uma jarra cheia de furos, dentro da qual queima um fogo vivo, demonstrando através dessa prova, que o transe não é simulado.

Xangô portanto, já é adulto o suficiente para não se empolgar pelas paixões e pelos destemperos, mas vital e capaz o suficiente para não servir apenas como consultor.
Outro dado saliente sobre a figura do senhor da justiça é seu mau relacionamento com a morte. Se Nanã é como Orixá a figura que melhor se entende e predomina sobre os espíritos de seres humanos mortos, Eguns, Xangô é que mais os detesta ou os teme. Há quem diga que, quando a morte se aproxima de um filho de Xangô, o Orixá o abandona, retirando-se de sua cabeça e de sua essência, entregando a cabeça de seus filhos a Obaluaiê e Omulu sete meses antes da morte destes, tal o grau de aversão que tem por doenças e coisas mortas.

Deste tipo de afirmação discordam diversos babalorixás ligados ao seu culto, mas praticamente todos aceitam como preceito que um filho que seja um iniciado com o Orixá na cabeça, não deve entrar em cemitérios nem acompanhar a enterros.
Tudo que se refere a estudos, as demandas judiciais, ao direito, contratos, documentos trancados, pertencem a Xangô.

Xangô teria como seu ponto fraco, a sensualidade devastadora e o prazer, sendo apontado como uma figura vaidosa e de intensa atividade sexual em muitas lendas e cantigas, tendo três esposas: Obá, a mais velha e menos amada; Oxum, que era casada com Oxossi e por quem Xangô se apaixona e faz com que ela abandone Oxossi; e Iansã, que vivia com Ogum e que Xangô raptou.
No aspecto histórico Xangô teria sido o terceiro Aláàfin Oyó, filho de Oranian e Torosi, e teria reinado sobre a cidade de Oyó (Nigéria), posto que conseguiu após destronar o próprio meio-irmão Dada-Ajaká com um golpe militar. Por isso, sempre existe uma aura de seriedade e de autoridade quando alguém se refere a Xangô.

Conta a lenda que ao ser vencido por seus inimigos, refugiou-se na floresta, sempre acompanhado da fiel Iansã, enforcou-se e ela também. Seu corpo desapareceu debaixo da terra num profundo buraco, do qual saiu uma corrente de ferro – a cadeia das gerações humanas. E ele se transformou num Orixá. No seu aspecto divino, é filho de Oxalá, tendo Iemanjá como mãe.

Xangô também gera o poder da política. É monarca por natureza e chamado pelo termo obá, que significa Rei. No dia-a-dia encontramos Xangô nos fóruns, delegacias, ministérios políticos, lideranças sindicais, associações, movimentos políticos, nas campanhas e partidos políticos, enfim, em tudo que gera habilidade no trato das relações humanas ou nos governos, de um modo geral.

Xangô é a ideologia, a decisão, à vontade, a iniciativa. É a rigidez, organização, o trabalho, a discussão pela melhora, o progresso social e cultural, a voz do povo, o levante, à vontade d e vencer. Também o sentido de realeza, a atitude imperial, monárquica. É o espírito nobre das pessoas, o chamado “sangue azul”, o poder de liderança. Para Xangô, a justiça está acima de tudo e, sem ela, nenhuma conquista vale a pena; o respeito pelo Rei é mais importante que o medo.

Xangô é um Orixá de fogo, filho de Oxalá com Iemanjá. Diz a lenda que ele foi rei de Oyó. Rei poderoso e orgulhoso e teve que enfrentar rivalidades e até brigar com seus irmãos para manter-se no poder.
A finalidade principal desta linha é fazer caridade, implantando a justiça e os sentimentos que lhe são entregues. Sua essência é ígnea, manifesta-se nas montanhas rochosas, pedreiras e energiza a estabilidade constante vibrando na musculatura e na razão.É cultuado nas montanhas e pedreiras e aceita como oferenda cerveja preta, vinho branco doce, melão, abacaxi, rabada de boi e é firmado com velas brancas e marrons. Simbolizado pela cor marrom e figurativamente pelo desenho de um machado com dois cortes. Irradia justiça e racionalidade, flui resignação, obediência e submissão e seu oposto é Iansã.

Xangô exerce uma influêcia muito forte em seu filho. Todos os Orixás, evidentemente, são justos e transmitem este sentimento aos seus filhos. Entretanto, em Xangô, a Justiça deixa de ser uma virtude, para passar uma obsessão, o que faz de seu filho um sofredor, principalmente porque o parâmetro da Justiça é o seu julgamento e não o da Justiça Divina, quase sempre diferente do nosso, muito terra. Esta análise é muito importante. O filho de Xangô apresenta um tipo firme, enérgico, seguro e absolutamente austero. Sua fisionomia, mesmo a jovem, apresenta uma velhice precoce, sem lhe tirar, em absoluto, a beleza ou a alegria. Tem comportamento medido. É incapaz de dar um passo maior que a perna e todas as suas atitudes e resoluções baseiam -se na segurança e chão firme que gosta de pisar. É tímido no contato mas assume facilmente o poder do mando. É eterno conselheiro e não gosta de ser contrariado, podendo facilmente sair da serenidade para a violência, mas tudo medido, calculado e esquematizado. Acalma-se com a mesma facilidade quando sua opinião é aceita. Não guarda rancor. A discrição faz de seus vestuários um modelo tradicional.

Quando o filho de Xangô consegue equilibrar o seu senso de Justiça, transferindo o seu próprio julgamento para o Julgamento Divino, cuja sentença não nos é permitido conhecer, torna-se uma pessoa admirável. O medo de cometer injustiças muitas vezes retarda suas decisões, o que, ao contrário de lhe prejudicar, só lhe traz benefícios. O grande defeito dele é julgar os outros. Se aprender a dominar esta característica, torna-se um legítimo representante do Homem Velho, Senhor da Justiça, Rei da Pedreira. Por falar em pedreira, adora colecionar pedras.

Xangô era filho de Oranian, valoroso guerreiro, cujo corpo era branco à esquerda e preto à direita.
Xangô tinha um oxé – machado de duas lâminas; tinha também um saco de couro, pendurado no seu ombro esquerdo. Nele estavam os elementos do seu axé: aquilo que ele engolia para cuspir fogo e amedrontar seus adversários, e as pedras de raio com as quais ele destruia as casas de seus inimigos.
Assim que ficou adulto, Xangô partiu em busca de aventuras gloriosas. O primeiro lugar que Xangô visitou chamava-se Kossô. Ali chegando, todos de Kossô vieram lhe pedir clemência, gritando: “Kabiyesi Xangô, Kawo Kabiyesi Xangô Obá Kossô!” (vamos todos ver e saudar Xangô, o Rei de Kossô!).
Assim ele pôs-se à obra; realizava trabalhos úteis à comunidade e fazia as coisas com alma e dignidade. Mas esta vida calma não convinha à Xangô. Ele adorava as viagens e as aventuras. Assim, partiu novamente e chegou à cidade de Irê, onde morava Ogum.
Ogum o terrível guerreiro; Ogum o poderoso ferreiro. Ogum estava casado com Iansã, senhora dos ventos e tempestades. Ela ajudava Ogum na forja, carregando suas ferramentas e atiçando o fogo com os sopradores. Xangô gostava de ver Ogum trabalhar; vez por outra, ele olhava para Iansã. Iansã também olhava para Xangô.

Xangô era vaidoso e cuidava muito de sua aparência, a ponto de trançar seus cabelos e furar suas orelhas, onde pendurava grandes argolas de ouro. Usava braceletes e colares de contas vermelhas e brancas.
Muito impressionada pela distinção e pelo brilho de Xangô, Iansã foi-se embora com ele tornando-se sua primeira mulher.

São Jerônimo, sincretizado com Xangô no Brasil, nasceu de uma família abastada, provavelmente no ano 331, na cidade de Stridova, entre a Cro� �cia e a Hungria.Estudou em Roma, especializando- se na arte da oratória.

Como sua juventude fora dedicada à vida mundana, Jerônimo tardou seu batizado e, em carta ao papa, ele vislumbrou para si um batismo de fogo no qual suas máculas seriam queimadas. Após ter copiado dois livros de Santo Hilário, ele decidiu estudar teologia. Mas sua leitura favorita continuava a ser a literatura dos grandes legisladores e oradores, como Cícero.

Aos 43 anos, ele esteve muito doente e permaneceu muito tempo acamado, durante a Quaresma, jejuou e teve visões, vendo-se diante do trono do Senhor.
Resolve dedicar-se a uma vida monástica, isolando-se no deserto de Marônia, na Síria. Livros, penas e nanquim são seus companheiros.

Para combater a pensamentos impuros, pegava uma pedra e batia em seu peito, punindo-se, logo após voltava a escrever em hebraico, onde se tornou mestre nessa lí ngua.

O sincretismo entre Xangô e São Jerônimo está no temperamento forte, crítico e na medida que ambos são conhecedores de leis e mandamentos. Xangô tem como lugar as pedreiras.

Sua imagem é representada por um ancião sentado sobre as pedras, segurando a tábua dos 10 Mandamentos e com um leão ao lado.
Xangô tem sua falange também, o mais conhecido é Xangô Kaô.

INCORPORAÇÃO

Na incorporação de Xangô podemos ver o médium curvado, como uma pessoa idosa e com os braços cruzados sobre o peito, batendo firmemente, assim como S. Jerônimo fazia com as pedras em seu peito para afastar os males da carne e a tentação do espírito

O GRANDE AMOROSO

Xangô é um deus cotidiano e, portanto, itifálico. De início, vêmo-lo como divindade hermafrodita. Muitas efígies suas na África – imagens de madeira, te ndo no alto da cabeça, destacado, o machado bifronte – mostram, também em destaque, os seios volumosos. E mesmo no Brasil, no sincretismo católico, Xangô é às vezes identificado com Santa Bárbara. Aos poucos, porém, ele vai se afirmando em sua orgulhosa virilidade. Altivo e dominador, elegante e cheio de sedução, usa cabelos encaracolados, brincos de argolas metálicas, colares e pulseiras.
Numa lenda contada por João do Rio, andava Xangô pelas aldeias, de tribo em tribo, apoderando-se das mulheres alheias. Encontrando a velha Olobá, Xangõ agarrou-a à força e depois foi com ela viver, numa cama feita de olentes folhas de manjericão. Até que, cansado da velha, Xangô fugiu. Mas Olobá pertencia à família dos orixás, era avó de Oxun. Por isso Xangô teve de enfrentar perigos incontáveis – um inimigo em cada canto, uma guerra em cada tribo, uma serpente em cada moita. Refugiou-se, por fim, no palácio da rainha Oxum, comparedes de c ristal líquido e colossais repuxos de cores estranhas. Após inúmeras peripécias, Xangô consegue livrar-se dos seus inimigos e da velha Olobá.
Triunfalmente, ele se atira nos braços da rainha. “Uma nuvem gigantesca encheu os céus, as árvores partiram-se e, ao clangor dos trovões, toda a terra se embebeu sequiosa no temporal”. Do enlace de Xangô e Oxum nasce a chuva benfazeja.

HETEROMORFIA E SINCRETISMO
Xangô é identificado com São Jerônimo, o erudito doutor da Igreja latina e, excepcionalmente, com Santa Bárbara.
No candomblé, usa saiote e calça, coroa de cobre, metal precioso em Iorubá, braceletes e colares de cauris ou búzios.
Xangô-Airá, velho e alquebrado, veste-se de branco com barras vermelhas. Não come aceite, pois tem pacto com Oxalá. Identificado com SãoPedro. Forma cada vez mais rara nos candomblés.
Xangô de Ouro, um adolescente vestido de cores variadas, é São João Menino. Não “desce” mais, porque deixaram de ser encontradas as ervas necessárias, nos ritos de iniciação, para a “entrada na cabeça” desse orixá. Um Xangô banido pela destruição ecológica.
Xangô Ogodô dança com um ochê em cada mão e o próprio nome é referência ao machado duplo, pois ogodô significa “que corta dos dois lados”.

Em Recife cultuam dois Xangôs principais: Xangô-Velho, identificado com São Jerônimo, cuja festa é a 30 de setembro, e Xangô-Moço (Ani-Xangô), sincretizado com Saõ João e celebrado a 24 de junho. Dos seus símbolos e insígnias, o machado duplo ou “muleta” e o pilão são conservados no peji, de onde podem sair em determinados rituais. Jamais é retirado, no entanto, o”corisco” ou itá ou otá (pedra-do-raio) , que permanece guardado num alguidar (oberá) . Xangô é tão popular em Pernambuco, que o nome passou a designar terreiros e, ainda mais extensamente, todas as seitas afro-brasileiras.
Entre as várias formas de Xangô citam Xangô Dadá, em Porto Alegre identificado com São João Batista e que no seu dia, 24 de junho, não “baixa” porque, com a queima de fogos que o festejam, ele iria incendiar o mundo.

Na realidade, Dadá é o irmão mais velho de Xangô, que abdicou em seu favor, quando de Oyá. Dadá dança coroado com o adé-de-banhami ou corão de Dadá, um capacete vermelho, todo ornamentado de cauris e de cujas bordas pendem fios também cobertos de búzios. Quando Dadá se manifesta num candomblé, logo baixo um Xangô, que tira o adé-de-banhami e coloca na própria cabeça. Após dançar algum tempo com essa coroa de Dadá, Xangô acaba por devolvê-la, num símbolo da restituição, após sete anos, do reino de Oyó, que estava em poder de Xangô.

Xangô o Zeus iorubano é conhecido também (dependendo da nação) como : Xangô (nagôs), Sobô, Sogbo (jejes), Badé, Quevioçô (fanti-ashanti) , Conucon (tapa), Abaçucá (agrôno), Zaze, Cambãranguange ou Kubuco (bantos). Ele foi marido de três iyabás que foram rios africanos: Oiá (Niger), Oxun e Obá. (segundo Pierre Fatumbi Verger) – no livro Orixás.
Sua saudação – Kaô kabiecí! – significa “Venham ver o Rei!”

Xangô dança brandindo seu machado duplo e, quando o ritmo se acelera, faz o gesto de atirar pedras-do-raio imaginárias, tiradas do labá, uma bolsa decorada que ele leva a tiracolo.
Numa festa de Xangô, por vezes, os que estão possuídos pelo Orixá ingerem pedaços de algodão embebidos em azeite-de-dendê , que se incendeia, proeza que presenciamos algumas vezes no terreiro do pai-de-santo Júlio Estaves, em Olinda,RJ (Conta Pierre Verger, no livro c itado). Esse algodão incandescente – o acará – serve para provar que o Orixá está presente e, portanto, não há simulação.

XANGÔ RECONDUZ OXALUFÃ AO REINO DE OXAGUIÃ

Mito famoso é aquele em que Oxalufã (Oxalufã, é o Oxalá velho) vai ao reino de Oyó, em visita a Xangô. Confundido com um ladrão pelos súditos do rei, Oxalá velho tem as pernas e os braços quebrados, permanecendo sete anos na prisão. Sobrevêm por isso várias desgraças, que levam Xangô a descobrir a causa e reparar a injustiça cometida. Xangô carrega Oxalufã até o seu reino de Infá, de onde partira sete anos atrás.

Esse mito etiológico explica a origem do odô e o porquê das duas cores de Xangô: além do vermelho, como senhor do fogo, recebeu também o branco, como recompensa por haver carregado Oxalufã, o Oxalá velho, orixá da alvura e da pureza.

O OBÔ – milho branco cozido, sem sal, a que algumas tribos africanas juntam limo-da-costa (ouri) – o Obô foi o prato de sustentação no banquete de Oxaguiã, festejando o regresso do seu velho pai, Oxaguiã. E é no pilão de Xangô (odô) que é triturado esse milho ritual, na cerimônia das águas de Oxalá.

EDUN ARÁ, A PEDRA-DO-RAIO

As pedras-do-raio – edun ará dos iorubanos – são fetiches de Xangô, imantados com a força da divindade.
Acredita-se que essa pedra-do-raio, também chamada pedra-de-santa- bárbara, cai do céu durante as tempestades, conduzida pelas faíscas elétricas, penetrando no chão a uma profundidade de sete braças e só subindo à superfície após sete anos.

Quem consegue encontrar uma dessas pedras terá em mãos talismã dos mais valiosos, que proporciona todas as venturas.

As pedras-do-raio são, na realidade, achados arquológicos da era neolíti ca – machados, martelos e fragmentos de artefatos de pedra polida, aos quais se atribuía uma origem meteorológica.
Divindade dos meteoritos, na litolatria de Xangô, observou Nina Rodrigues, “se confendem os casos de adoração dos penhacos e grandes pedras dos campos e estradas”.
XANGÔ, O ZEUS YORUBANO(Nota: Série de Palestras feitas pela Astróloga Maria Luiza Andrade)XANGÔ é o senhor da justiça e lançador de raios e meteoritos, tal como ZEUS ou JÚPITER.

O símbolo a ele associado é o de dois martelos (os juizes na sociedade ocidental, também usam o martelo nas suas decisões, no tribunal), que mostram seu poder de determinar o que é certo e o que é errado e sua disposição inabalavelmente imparcial, visando, acima de tudo, a verdade. É uma figura sólida, tanto por esse papel como pelo elemento que a ele é associado: a pedra. Também a ele pertencem os raios, que, segundo as lendas, só atingem os que forem considerados por Xangô. Esta é a imagem a ele associada, onde se destacam também certa vaidade e elegância e uma grande consciência de si próprio. Seus filhos possuem a força magnética dos que sentem que têm poder sobre os outros – e geralmente alcançam o que querem.

Suas cores, no candomblé são o vermelho e o branco e seu dia a quarta-feira. O Xangô umbandista tem suas cores no marrom e amarelo-ouro, bebe cerveja preta e tem sua morada e o seu altar na rocha, de preferência onde haja também uma cachoeira.

Na astrologia, Xangô tem relação com o elemento FOGO ou com planetas e Casas desse elemento – Marte e Júpiter e o Sol e Casas I (Marte/Áries), Casa V (Sol-Leão) e Casa IX (Júpiter-Sagitá rio).
XANGÔ é autoritário, o dono da última palavra (como são os jupiterianos, em geral), capaz de dar socos na mesa para dramatizar su a expressão e exibir força física e arrogância. É sensual, majestoso, sólido, líder, difícil de ser derrubado. Seu ponto fraco é o coração, o que nos levaria a relacioná-lo a JUPITER e SAGITÁRIO.

Os filhos de XANGÔ são pessoas totalmente voltadas para a sexualidade e o egocentrismo. A parte negativa está na crueldade, injustiça, alienação, violência e orgulho desmedido, além da ambição cega.Assim como Zeus no Olimpo, o elemento de XANGÔ são as pedras, os raios; é o Senhor da Força e da Justiça. Por ser a força, XANGÔ é considerado dentro do OBÁ como reiXANGÔ rege, portanto, os signos de LEÃO e SAGITÁRIO. Autoritário, dominador, é um líder nato, um guerreiro difícil de ser derrotado, características dos nativos de Leão. Simboliza ainda a lei e a justiça, atributos de Júpiter. É sociável e aproveita o melhor da vida, o que o associa ao signo de Sagitário. Corresponde a Júpiter.

Os dias do ano em que é festejado: 25 de janeiro (Dia de São Paulo Apóstolo), 29 de junho (Badé)=Dia de São Pedro);dia 19 de março (Alafin=Dia de São José);dia 24 de junho (Afonjá= São João) e é claro, o dia 30 de setembro(Agodô =São Jerônimo). São-lhe sacrificados: carneiro, galo, cágado (ajapá). Sua comida é um caruru especial (amalá).Atributos de Xangô: o machado duplo(oxê)e a pedra-do-raio (edun ará).
De acordo com a nação, Xangô recebe os seguintes nomes: Xangô(nagôs), Sobô, sogbo (jejes), Badé, Quevioçô (fanti-ashanti) , Vonucon (tapa), Abaçucá (agrôno), Zaze, Cambãranguange ou Kibuco (bantos).

XANGÔ é associado ao deus grego ZEUS ou JÚPITER que, segundo dizem os poetas, é o pai dos deuses e dos homens, reinando no Olimpo, e com um movimento de sua cabeça, agitava o Universo.
Após uma batalha para destronar seu pai, e auxiliado por seu irmão NETUNO e PLUTÃO, JÚPITER recebeu dos Ciclopes (Titãs encarcerados no Tártaro, por ordem de seu pai Saturno) o trovão, o relâmpago e o raio; um capacete foi dado a Plutão e a Netuno um tridente. Com essas armas, os três irmãos venceram Saturno, expulsaram-no do trono e da sociedade dos deuses.

Depois do destronamento de Saturno, JÚPITER e seus irmãos repartiram os domínios daquele. A Júpiter coube a parte dos céus; a Netuno, o Oceano e a Plutão, os reinos da morte. A Terra e o Olimpo eram propriedades comum – Júpiter era o rei dos deuses e dos homens. O raio era sua arma e carregava um escudo chamado égide, feito para ele por Vulcano. A águia era sua ave favorita. Juno (Hera) foi sua esposa e era a rainha dos deuses. Íris, a deusa do arco-íris, era sua donzela e mensageira. O pavão real era seu pássaro favorito.

Na astronomia, assim como vemos no estudo do Orixá XANGÔ, e no deus Zeus, Júpiter é o maior planeta, c apaz até de projetar sombra na Terra.

Segundo o mito, Júpiter é o pai Abraão, Brahma, Jeovah. O Sol é o poder espiritual e Júpiter é o pode temporal. Para os egípcios, era AMON, deus de Tebas, no Alto Egito.O deus invisível que animava todas as coisas e acompanhava as guerra imperiais; o intrépido e insensato, mas o corajoso.

Os nomes Abraão e Brahma derivam do sânscrito e significam: luz.

Na Índia era também Vishnu, o preservador. Para os gregos era ZEUS, o grande deus que reinava no Olimpo, a montanha sagrada. Carregava um raio em sua mão e era o Todo-Poderoso, o onipotente. Mas um deus acessível, com defeitos humanos como a luxuria, e o furor. Teve vários amores e filhos. Seus atributos também eram a chuva, as nuvens, os raios e os trovões. Presidia toda a família divina.SAGITÁRIO, signo regido pelo planeta Júpiter, mostra características de seus filhos, tão semelhante s as dos filhos de Xangô, com um temperamento ativo, expansivo e egocêntrico, são pessoas desprendidas, generosas, enérgicas e combativas; possuem um temperamento impulsivo, ambicionam posição e poder, além de serem caridosos com os infelizes e oprimidos.

Quem tem a proteção de Xangô sabe: não há nada nem ninguém que destrua um filhodesse orixá. Podem até conseguir levá-lo ao fundo do abismo, mas depois de algumtempo ele renasce com mais vigor e volta a enfrentar o mundo de peito aberto. Semmedo. Essa é uma característica herdada do pai, Xangô, entidade mais forte doCandomblé brasileiro. São dele a força, o poder e a capacidade de fazer e desfazertodas as coisas. Mas ele não age sem uma boa razão: Xangô tem um senso de justiçamuito acentuado. Exige exclusividade, mas nunca consegue resistir a umaaventurazinha. Segue os passos do pai, marido de muitas esposas, das quais aspredilet as são a dengosa Oxum e a guerreira Iansã – esta, a parceira ideal, pois oacompanha a todas as frentes de batalha, luta sempre ao seu lado, ajudando-o aderrotar os inimigos.
São essas as características que os filhos de Xangô exigem dos parceiros.
Ousados e cheios de iniciativa, quando se apaixonam, fazem o impossível para conquistar o ser amado. São diretos, sem rodeios, vão logo ao que interessa.
Atrevidísssimos, não descansam enquanto não conseguem o que querem. E adoram variaras relações amorosas.

Xangô é o próprio Fogo, energia inesgotável, devastadora. Ninguém fica imune ou indiferente à sua passagem. Não há como ignorar a pompa e a altivez desse integranteda alta aristocracia africana que um dia, encurralado pelas lutas em torno do poder,acabou se suicidando em plena selva. Preferiu a morte a perder a dignidade. Além disso, Xa ngô nunca suportou disputas pelo poder.
Tem consciência de que só ele possui as qualidades necessárias para exercê-lo comvigor e justiça. Porque não conhece o significado das palavras obediência, submissãoe medo.
Valente e protetor, ele foi rei de Oió, e fundou uma dinastia de heróis lutadores.Orixá da Justiça e do Fogo,

Xangô é o quarto Alafin de Oió, e viveu em 1450 A.C.,destacando- se pela sua valentia e liderança. Foi marido de Oxum, Obá e Oiá (Iansã).

Ele é filho de Oranyian, e tem Yamasse como sua mãe. Castiga mentirosos, infratores e ladrões. Por isso a morte pelo raio é considerada infamante, assim como uma casa atingida por uma descarga elétrica é tida como marcada pela ira de Xangô.

O xeré é um chocalho feito de cabaça alongada, que quando agitado lembra o barulho da chuva. Ele é um dos símbolos de Xangô.

Garboso, Xangô é conhecido também como o “dono das mulheres”, mas mesmo assimfrequentemente seus filhos do sexo masculino terminam a vida solitários. Um dos maispopulares Orixás do Novo Mundo (não somente no Brasil, mas também nas Antilhas), seu arquétipo pode ser resumido assim: pessoa voluntariosa, altiva, mas que não tolera ser contrariada. Geralmente, imbuída de um profundo sentido de justiça e sinceridade, sendo bem consciente de sua própria dignidade e valor.

CARACTERÍSTICAS

Cor -Marrom (branco e vermelho)

Fio de Contas -Marrom leitosa

Ervas -Erva de São João, Erva de Santa Maria, Beti Cheiroso, Nega Mina, Elevante, Cordão de Frade, Jarrinha, Erva de Bicho, Erva Tostão, Caruru, Para raio, Umbaúba. (Em algumas casas: Xequelê)

Símbolo -Machado

Pontos da Natureza -Pedreira

Flores -Cravos Vermelhos e brancos

Essências -Cravo (flor)

Pedras -Meteorito, pirita, jaspe.

Metal -Estanho

Saúde -fígado e vesícula

Planeta -Júpiter

Dia da Semana -Quarta-Feira

Elemento -Fogo

Chacra – Cardíaco

Saudação -Kaô Cabecile (Opanixé ô Kaô)

Bebida -Cerveja Preta

Animais -Tartaruga, Carneiro

Comidas -Agebô, Amalá

Numero -12

Data Comemorativa – 30 de Setembro

Sincretismo – São José, Santo Antônio, São Pedro, Moisés, São João Batista, São Gerônimo.

Incompatibilidades: Caranguejo, Doenças

Qualidades: Dadá, Afonjá, Lubé, Agodô, Koso, Jakuta, Aganju, Baru, Oloroke, Airá Intile, Airá Igbonam, Airá Mofe, Afonjá, Agogo, Alafim

ATRIBUIÇÕES
Xangô é o Orixá da Justiça e seu campo preferencial de atuação é a razão, despertando nos seres o senso de equilíbrio e eqüidade, já que só conscientizando e despertando para os reais valores da vida a evolução se processa num fluir contínuo

AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE XANGÔ
Para a descrição dos arquétipos psicológico e físico das pessoas que correspondem a Xangô, deve-se ter em mente uma palavra bá sica: Pedra. É da rocha que eles mais se aproximam no mundo natural e todas as suas características são balizadas pela habilidade em verem os dois lados de uma questão, com isenção e firmeza granítica que apresentam em todos os sentidos.
Atribui-se ao tipo Xangô um físico forte, mas com certa quantidade de gordura e uma discreta tendência para a obesidade, que se ode manifestar menos ou mais claramente de acordo com os Ajuntós (segundo e terceiro Orixá de uma pessoa). Por outro lado, essa tendência é acompanhada quase que certamente por uma estrutura óssea bem-desenvolvida e firme como uma rocha.Tenderá a ser um tipo atarracado, com tronco forte e largo, ombros bem desenvolvidos e claramente marcados em oposição à pequena estatura;
A mulher que é filha de Xangô, pode ter forte tendência à falta de elegância. Não que não saiba reconhecer roupas bonitas – tem, graças à vaidade intrínseca do tipo, especial fascínio por indumentárias requintadas e caras, sabendo muito bem distinguir o que é melhor em cada caso. Mas sua melhor qualidade consiste em saber escolher as roupas numa vitrina e não em usá-las. Não se deve estranhar seu jeito meio masculino de andar e de se portar e tal fato não deve nunca ser entendido como indicador de preferências sexuais, mas, numa filha de Xangô é um processo de comportamento a ser cuidadosamente estabelecido, já que seu corpo pode aproximar-se mais dos arquétipos culturais masculinos do que femininos; ombros largos, ossatura desenvolvida, porte decidido e passos pesados, sempre lembrando sua consistência de pedra.
Em termos sexuais, Xangô é um tipo completamente mulherengo. Seus filhos, portanto, costumam trazer essa marca, sejam homens, sejam mulheres (que estão entre as mais ardentes do mundo). Os filhos de Xangô são tidos como grandes conquistadores, são fortemente atraídos pelo sexo oposto e a conquista sexual assume papel importante em sua vida.
São honestos e sinceros em seus relacionamentos mais duradouros, porque para eles sexo é algo vital, insubstituível, mas o objeto sexual em si não é merecedor de tanta atenção depois de satisfeito desejo.
Psicologicamente, os filhos de Xangô apresentam uma alta dose de energia e uma enorme auto-estima, uma clara consciência de que são importantes, dignos de respeito e atenção, principalmente, que sua opinião será decisiva sobre quase todos os tópicos – consciência essa um pouco egocêntrica e nada relacionada com seu real papel social. Os filhos de Xangô são sempre ouvidos; em certas ocasiões por gente mais importante que eles e até mesmo quando não são considerados especialistas num assunto ou de fato capacitados para emitir opinião.
Porém, o senhor de engenho que habita dentro deles faz com que não aceitem o questionamento de suas atitudes pelos outros, especialmente se já tiverem considerado o assunto em discussão encerrado por uma determinação sua. Gostam portanto, de dar a última palavra em tudo, se bem que saibam ouvir. Quando contrariados porém, se tornam rapidamente violentos e incontroláveis. Nesse momento, resolvem tudo de maneira demolidora e rápida mas, feita a lei, retornam a seu comportamento mais usual.
Em síntese, o arquétipo associado a Xangô está próximo do déspota esclarecido, aquele que tem o poder, exerce-o inflexivelmente, não admite dúvidas em relação a seu direito de detê-lo, mas julga a todos segundo um conceito estrito e sólido de valores claros e pouco discutíveis. É variável no humor, mas incapaz de conscientemente cometer uma injustiça, fazer escolha movido por paixões, interesses ou amizades.
Os filhos de Xangô são extremamente enérgicos, autoritários, gostam de exercer influência nas pessoas e dominar a todos, são líderes por natureza, justos honestos e equilibrados, porém quando contrariados, ficam possuídos de ira violenta e incontrolável.

TENDÊNCIA PROFISSIONAL: Advogados, religiosos, mecânicos, dentistas, cabeleireiros, médicos, enfermeiros

SÃO AS SEGUINTES AS FALANGES DE XANGÔ:
1. Falange de Iansã – chefiada por Santa Bárbara
2. Falange do Caboclo do Sol e da Lua – chefiada pela mesma entidade
3. Falange do Caboclo dos Ventos – chefiada pela mesma entidade
4. Falange do Caboclo das Cachoeiras – chefiada pela mesma entidade
5. Falange do Caboclo Treme-Terra – chefiada pela mesma entidade
6. Falange do Caboclo da Pedra Branca – chefiada pela mesma entidade
7. Falange dos Pretos Velhos – chefiada por Quenguelê.

SÃO AS SEGUINTES AS LEGIÕES DE XANGÔ:
1. Legião do Caboclo Ventania
2. Legião do Caboclo das Cachoeiras
3. Legião do Caboclo 7 Montanhas
4. Legião do Caboclo Pedra Branca
5. Legião do Caboclo Cobra Coral
6. Povo de Quenguelê

COZINHA RITUALÍSTICA
Caruru
Afervente o camarão seco, descasque-o e passe na máquina de moer. Descasque o amendoim torrado, o alho e a cebola e passe também na máquina de moer. Misture todos esses ingredientes moídos e refogue-os no dendê, até que comecem a dourar. Junte os quiabos lavados, secos e cortados em rodelinhas bem finas. Misture com uma colher de pau e junte um pouco de água e de dendê em quantidade bastante para cozinhar o quiabo. Se precisar, ponha mais água e dendê enquanto cozinha. Prove e tempere com sal a gosto. Mexa o caruru com colher de pau durante todo o tempo que cozinha. Quando o quiabo estiver cozido, junte os camarões frescos cozidos e o peixe frito (este em lascas grandes), dê mais uma fervura e sirva, bem quente.

Ajebô
Corte os quiabos em rodelas bem fininhas em uma Gamela, e vá batendo eles como se estivesse ajuntando eles com as mãos, até que crie uma liga bem Homogênea.
Rabada
Cozinhe a rabada com cebola e dendê. Em uma panela separada faça um refogado de cebola dendê, separe 12 quiabos e corte o restante em rodelas bem tirinhas,junte a rabada cozida. Com o fubá, faça uma polenta e com ela forre uma gamela, coloque o refogado e enfeite com os 12 quiabos enfiando-os no amalá de cabeça para baixo.

LENDAS DE XANGÔ
A Justiça de Xangô
Certa vez, viu-se Xangô acompanhado de seus exércitos frente a frente com um inimigo que tinha ordens de seus superiores de não fazer prisioneiros, as ordens era aniquilar o exército de Xangô, e assim foi feito, aqueles que caiam prisioneiros eram barbaramente aniquilados, destroçados, mutilados e seus pedaços jogados ao pé da montanha onde Xangô estava. Isso provocou a ira de Xangô que num movimento rápido, bate com o seu machado na pedra provocando faíscas que mais pareciam raios. E quanto mais batia mais os raios ganhavam forças e mais inimigos com eles abatia. Tantos foram os raios que todos os inimigos foram vencidos. Pela força do seu machado, mais uma vez Xangô saíra vencedor. Aos prisioneiros, os ministros de Xangô pediam os mesmo tratamento dado aos seus guerreiros, mutilação, atrocidades, destruição total. Com isso não concordou com Xangô.
- Não! O meu ódio não pode ultrapassar os limites da justiça, eram guerreiros cumprindo ordens, seus líderes é quem devem pagar!
E levantando novamente seu machado em direção ao céu, gerou uma série de raios, dirigindo-os todos, contra os líderes, destruindo-os completamente e em seguida libert ou a todos os prisioneiros que fascinados pela maneira de agir de Xangô, passaram a segui-lo e fazer parte de seus exércitos.
A Lenda da Riqueza de Obará
Eram dezesseis irmãos, Okaram, Megioko, Etaogunda, Yorossum, Oxé, Odí, Edjioenile, Ossá, Ofum, Owarin, Edjilaxebora, Ogilaban, Iká, Obetagunda, Alafia e Obará. Entre todos Obará era o mais pobre, vivendo em uma casinha de palha no meio da floresta, com sua vida humilde e simples.
Um dia os irmãos foram fazer a visita anual ao babalaô para fazer suas consultas, e prontamente o babalaô perguntou: Onde está o irmão mais pobre? Os outros irmão disseram-lhe que avia se adoentado e não poderia comparecer, mas na verdade eles tinham vergonha do irmão pobre. Como era de costume o babalaô presenteou a cada irmão com uma lembrança, simples, mas de coração e após a consulta foram todos a caminho de casa. Enquanto caminhavam, maldiziam o presen te dado pelo babalaô, Morangas? Isso é presente que se dê? Abóboras? .
A noite se aproximava e a casa de Obará estava perto, resolveram então passar a noite lá. Chegando a casa do irmão, todos entraram e foram muito bem recebidos, Obará pediu a esposa que preparasse comida e bebida a todos, e acabaram com tudo o que havia para comer na casa. O dia raiando os irmãos foram embora sem agradecer, mas antes lhe deixaram as abóboras como presente, pois se negavam a come-las.
Na hora do almoço, a esposa de Obará lhe disse que não havia mais nada o que comer, apenas as abóboras que não estavam boas, mas Obará pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quando abriram as abóboras, dentro delas haviam várias riquezas em ouro e pedras preciosas e Obará prosperou.
Tempos depois, os irmãos de Obará passavam por tempos de miséria, e foram ao Babalaô para tentar resolver a situação, ao chegar lá escut aram a multidão saldando um príncipe em seu cavalo branco e muitos servos em sua comitiva entrando na cidade, quando olharam para o príncipe perceberam que era seu irmão Obará e perguntaram ao Babalaô como poderia ser possível e ele respondeu: Lembram-se das abóboras que vos dei, dentro haviam riquezas em pedras e ouro mas a vaidade e orgulho não vos deixaram ver e hoje quem era o mais pobre tornou-se o mais rico.
Foram então os irmãos ao palácio de Obará para tentar recuperar as abóboras e lá chegando, disseram a Obará que lhes devolvessem as Abóboras e Obará assim o fez, mas antes esvaziou todas e disse: Eis aqui meus irmãos, as abóboras que me deram para comer, agora são vocês que as comerão. E quando o babalaô em visita ao palácio de Obará lhe disse: Enquanto não revelares o que tens, tu sempre terás. E foi assim que se explica o motivo que quem carrega este Odú não pode revelar o que tem pois corre o risco de perder t udo, como os irmãos de Obará.

ORAÇÕES E PRECES

PRECE PARA XANGÔ
Oh! Senhor dos Trovões. Pai da Justiça e da retidão. Orixá que abençoa os injustiçados e castiga os mentirosos e caluniadores. Defenda, meu Senhor, minha casa, minha família dos inimigos ocultos, dos ladrões e dos mentirosos.Oh! Xangô rogo-te as vibrações de amor e misericórdia, Pai da dinastia humana, livra-me de todo escândalo.KAÔ CABECILE!

ORAÇÃO PARA XANGÔ
Poderoso Orixá de Umbanda,Pai, companheiro e guia.Senhor do equilíbrio e da justiça.Auxiliar da Lei do Carma,Só tu, tens o direito de acompanhar pela eternidade,Todas as causas, todas as defesas, acusações e eleições,Promanadas das ações desordenadas, ou dos atos impuros e benfazejos que praticamos.Senhor de todos os maciços e cordilheiras, Símb olo e sede da tua atuação planetária no físico e astral.Soberano Senhor do Equilíbrio, da equidade,Velai pela inteireza do nosso caráter.Ajude- nos com sua prudência.Defenda- nos das nossas perversões,Ingratidõ es, antipatias, falsidades,Incontenção da palavra e julgamento indevido dos atosDos nossos irmãos em humanidade.Só Tu és o grande Julgador.Kaô Cabecilê Xangô.

ORAÇÃO A XANGÔ
Bondoso São Jerônimo, o vosso nome Xangô, nos terreiros de Umbanda, desperta as mais puras vibrações. Protegei-nos, Xangô, contra os fluidos grosseiros dos espíritos malfazejos,amparai- nos nos momentos de aflição, afastai de nossa pessoa todos os males que foremprovocados pelos trabalhos de magia negra.Rogamo- vos, também, São Jerônimo, usar de nossa influência caridosa junto às mentes daqueles que por ambição, ignorância ou maldade, praticam o mal contra os seus irmãos empregando as forças elementais e astrais inferiores. Iluminai a mente desses irmãos, Afastando-os do erro e conduzindo-os à prática do bem.Assim Seja!Kaô Cabecilê

PRECE A XANGÔ
Senhor de Oyó. Pai justiceiro e dos incautos. Protetor da fé e da harmonia. Kaô Cabecile do Trovão. Kaô Cabecile da Justiça. Kaô Cabecile, meu Pai Xangô. Morador no alto da pedreira. Dono de nossos destinos. Livrai-nos de todos os males. De todos os inimigos visíveis e invisíveis. Hoje e sempre, Kaô meu Pai.

PONTOS CANTADOS PARA OUVIR:
http://umbandacanta da.blogspot. com/2007/ 11/pontos- de-xang.html

LETRAS DE PONTOS CANTADOS:

É Xangô o rei de lá da pedreira
É Oxum, rainha da cachoeira
Xangô é rei, Xangô é rei Orixá
Escreve lei pros filhos de Oxalá
============ ========= ========= ========= =====
Ele vem de Aruanda
Ele vem trabalhar
Ele vence demanda
Ele é seu Pangará
Kaô, kaô, kaô, kaô
A justiça chegou, Xangô
Ele vem de Aruanda
Ele vem trabalhar
Ele vence demanda
Ele é seu Airá
Kaô, kaô, kaô, kaô
A justiça chegou, Xangô
============ ========= ========= ========= =====
Escureceu, a noite chegou
Firma ponto na pedreira, saravá Xangô
Saravá Xangô, saravá Xangô
============ ========= ========= ========= =====
Lá em cima daquela pedreira
Tem um livro que é de Xangô
Kaô, kaô Kaô é kabecile
é de Xangô;
============ ========= ==== ============ =======
Machadinha de cabo de ouro
De ouro, de ouro
Machadinha de cabo de ouro
É machadinha de Xangô
============ ========= ========= ========= =====
Meu pai Xangô
Deixa essa pedreira aí
A Umbanda está lhe chamando
Deixa essa pedreira aí
============ ========= ========= ========= =====
Na beira do Cariri
Eu vi Xangô sentado
Yemanjá e Oxum
E Santa Bárbara de lado
Na beira do Cariri
============ ========= ========= ========= =====
Pedra rolou, Pai Xangô, lá na pedreira
Segura o ponto, meu Pai, na cachoeira
Tenho o meu corpo fechado
Xangô é meu protetor
Firma esse ponto, meu filhoPai de cabeça chegou
============ ========= ========= ========= =====
Quem rola pedra na pedreira é Xangô
Vivô a coroa de Zambi
Vivô a coroa de Zambi é maio
============ ========= ========= ========= =====
Subi na pedreira, subi
Uma pedra rolou no corisco de Xangô
Dizem que Xangô mora na pedreira
Mas não é lá sua morada verdadeira
Xangô mora na cidade de Luz
Aonde está Maria e o Menino Jesus
Dizem que Xangô mora na pedreira
Mas não é lá sua morada verdadeira
============ ========= ========= ========= =====
Xangô chegou na terra
Xangô girou na Umbanda
Com seu grito de guerra
Xangô venceu demanda
============ ========= ========= ========= =====
Xangô é corisco
Nasceu na trovoada
Trabalha na pedreiraAcorda na madrugada
Longe, tão longeAonde o sol raiou
Saravá UmbandaOi,
saravá Xangô
============ ========= ========= ========= =====
Xangô mostrai a força que vós tendes
Xangô é o rei da justiça
E não engana ninguém
Xangô Kaô, Xangô Agodô
============ ========= ========= ========= =====
Xangô, Xangô, meu pai Xangô
Xangô mora na pedreira
Quem mandou relampejar
Kaô kabecile obá, Xangô
Saravá Xangô
============ ========= ========= ========= =====
Deixei meu filho em cima da pedreira
E de repente ele escorregou
Me ajoelhei e olhei pra baixo
Estava nos braços de meu pai Xangô
============ ========= ========= ========= =====
Xangô, meu pai, atende essa romaria
Dos filhos que vem de longe
E não podem vir outro dia
============ ========= ========= ========= =====
Estava olhando a pedreira uma pedra rolou
Com a licença de Zambi vou saravá meu Pai Xangô
Quem foi que disse que eu não sou filho de Xangô
Se me atiram uma pedra ele faz dessa pedra uma flor
São tantas flores de justiça e proteção
Sou filho de Pai Xangô ninguém me joga no chão
Oh! Quantas flores já plantei no meu jardim
Cada pedra atirada era mais uma flor para mim

Pontos de Subida

Xangô já vai
Já vai pra Aruanda
A bênção meu pai
Proteção pra nossa banda
============ ========= ========= ========= =====
Já voltei lá na pedreira
E Xangô disse que sim
Quem tem Santo de Caboclo
Tá na hora de subir
============ ========= ========= ========= =====

Texto Montado por Alex de Oxóssi

FONTES PESQUISADAS:
www.mulhernatural.hpg.ig.com. br/trablux/xango.htm
www.umbanda. amovoce.net

COMUNIDADE POVO DE ARUANDA (ORKUT)
www.orkut. com/Community. aspx?cmm= 11739186

COMUNIDADE XANGÔ – ŞÀNGÓ – REI DE OYÓ (ORKUT)
www.orkut. com/Community. aspx?cmm= 28050813

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